terça-feira, 13 de julho de 2010

SEBASTIÃO DA GAMA E O ESPÍRITO DA POESIA À MESA

O Poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade… E diz assim: “É preciso saber olhar…” E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos… E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás… E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha… E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso… E acha que tudo é importante… E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim… E reparou que os homens estavam tristes… E escreveu uns versos que começam desta maneira “O segredo é amar…”.
Por tudo isto é que eu fiz a Semana da Poesia. Por tudo isto e porque de pequenino é que se torce o pepino. Por falta dela nas antologias escolares, ou pela só presença de Correias de Oliveira, Azevedos, Castelo Branco e mais da mesma firma, é que os rapazes chegam a homens com uma má vontade à Poesia ou uma ignorância dela que confrangem um cristão. É preciso, subtilmente, deitar-lhes no sangue este veneno – não tanto para que gostem de versos ou saibam versos de cor, como para que olhem o mundo através da janela da Poesia, para que beijem tudo, graças a Deus, para que saibam olhar, para que reparem nas flores e nas ovelhas. Isto é que se quer que eles façam, sem respeito humano, pela vida fora. Digo “sem respeito humano”, porque é fora de dúvida que a maior parte de nós, Portugueses, temos cá dentro um impulso que nos levaria a fazer tudo ou quase tudo que fazem os Poetas, se não fosse um receio de parecer menos viril. A gente tem vergonha de beijar tudo, de amar as flores, de se enternecer com os animais, de dar um passeio. Se beija uma árvore, é parvo; se traz uma flor na mão, é maricas; se se enternece, é fraco; se acaricia uma menina, põe nessa carícia o sexo; se vai a qualquer parte passear e ver o mundo, faz constar que foi em viagem de estudo ou viagem de negócios. Temos vergonha de ser sinceros, de que nos creiam parvos, ou maricas, ou fracos, ou lúbricos, ou estroinas. E então perdemos o melhor da nossa vida a ludibriar os outros e a insultar as nossas intenções mais belas e generosas. Ó Portugueses, é tempo de torcer o pescoço ao respeito humano. Olhai que nós somos bons e talvez seja verdade que somos Poetas – e isso não deve ser desprezado, mas antes manifestado. Começai a ser sinceros, deixai de ser irónicos, e vereis como tudo corre melhor e a vida tem outro sabor!

In "Diário" (09 Março, 1949)

GAMA, Sebastião da - Meu caminho é por mim fora[CD]. [Setúbal] : Associação Cultural Sebastião da Gama , 2010.
(Disponível na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira)

POEMA A SARAMAGO DE EVA CRUZ

Levantado do chão
como só os Homens de sonho se erguem
não há vida que te deite nem morte que te leve.
A lucidez esparsa em luz nas páginas dos teus livros
de mão dada com a terna dureza do teu carácter
há-de curar os olhos da cegueira
e abrir as palavras do teu Evangelho
às correntes límpidas dos rios
que regam a terra de sabedoria.

Eva Cruz

In Jornal Labor
de 24-06-2010

AMIGO SARAMAGO DE ADÃO CRUZ

Amigo Saramago

Tu morreste, segundo me informaram, em plena lucidez e consciência, sem qualquer medo ou surpresa em relação à morte. Foi assim e não podia ser de outra maneira, porque tu tinhas da vida e da morte o conceito antropológico, filosófico e de liberdade com que vivem e morrem os homens que não são homens vulgares.
E tu não foste um homem vulgar. Do ponto de vista literário, tu fizeste o que, até aí, ninguém fez, talvez depois do Padre António Vieira. Revolucionaste a literatura, quebraste a cristalização da literatura clássica como se tivesses feito explodir um fogo de artifício ao fim da página trinta ou quarenta do teu “Levantado do chão”. Criaste uma profunda influência na maior parte dos escritores portugueses actuais. E não só portugueses.
Consta-se que nunca disseste mal ou menosprezaste outro escritor. Por isso, creio que não desprezarás a minha opinião. Passaram perante os meus olhos, nas minhas leituras, além de ti, dezenas, se não centenas de escritores, desde a minha juventude, desde aqueles dezoito anos, em que eu devorava Dostoievski, debaixo dos lençóis, à luz de um foco olho-de-boi para que minha mãe não visse. Sinto que tenho algum direito a falar da tua obra. E a tua obra foi das mais belas que li, das que mais me ensinaram e perturbaram, no construtivo sentido que a perturbação pode trazer, das mais difíceis de construir, das mais penosas a levantar do chão.
E fizeste-o com toda a humildade e sabedoria das grandes mentes que têm a noção da sua pequenez humana. Basta ver que por todos os teus livros vagabundeia um narrador que não és tu nem uma personagem inventada, um fio condutor que não é obra estéril de ficção, mas a voz de um povo, a voz do povo, a voz da humanidade. Quem fala nas entrelinhas de toda a tua obra é a humanidade. Magnífica mensagem, a da humanidade silenciada. Comoves-me, meu amigo, porque entraste profundamente no coração do meu pensamento.
Mas a tua escrita, profunda e admirável escrita, que vai desde a esperança ao descrédito na humanidade, é a tua humanidade. A escrita do pensador, a lucidez do escritor, a humanidade do ser humano, a humanidade do criador de utopias, que consegue ter a coragem de chegar ao fim da vida sorrindo das suas próprias utopias. Morres com um sorriso nos lábios, não pela paz do mundo pela qual lutaste, mas com a paz de quem tudo fez para que assim não fosse, depois de teres dito ou pensado que, no fim de contas, das tuas contas, o homem é uma merda, um vírus que apareceu na cadeia evolutiva, metido à força no gráfico de Hillis, contaminando, irremediavelmente, não só toda a humanidade como toda a ordem natural dos seres vivos. Creio que tens razão, embora mantenha ainda a esperança ou a utopia de a não teres.

Adão Cruz
In Jornal Labor
24-06-2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

José Saramago 1922-2010





E porque de um blog de poesia se trata, deixamos aqui a nossa homenagem ao escritor e poeta José Saramago







Passado, Presente, Futuro

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

ANTÓNIO MOTA (REINTERPRETADO)

Reinterpretação da poesia de António Mota, por alguns alunos das Escolas Básicas de S. João da Madeira














POESIA TODO O ANO

O blogue da Poesia à Mesa pretende ser um espaço de todos e para todos, um espaço de poesia e sobre poesia, que exista não apenas no mês de Março mas ao longo de todo o ano.

Reiteramos este princípio e desafiamos todos os amantes de poesia a colaborarem na construção deste espaço porque entendemos que a poesia deve estar nas mesas sanjoanenses ao longo de todo o ano.

Por isso, se escreve poesia, se conhece um poeta cujo trabalho aprecie, se leu um novo livro de poesia, se tem uma opinião para partilhar, envie-nos por mail o seu texto e a sua identificação e ao longo do ano publicaremos a sua mensagem.

Não deixe de colaborar e ajude-nos a fazer deste blog uma Ágora de Poesia… porque para falar de poesia ou escrever poesia não há data nem hora marcada.

Contamos consigo e com as suas palavras!

(para participar basta enviar um mail para a biblioteca municipal com o assunto "blog poesia à mesa" - bibliotecamunicipal@cm-sjm.pt )


Reinterpretação da poesia de António Mota, por alguns alunos das escolas básicas de S. João da Madeira














domingo, 25 de abril de 2010

POESIA NA CORDA

Na passada 6ª feira, dia 23 de Abril, pelas 18 horas decorreu na Biblioteca Municipal uma sessão de entrega de prémios aos participantes da Poesia na Corda, na qual estiveram presentes cerca de 100 pessoas.
Os prémios atribuidos foram os seguintes:
POEMAS PEQUENINOS

TEMA: AMBIENTE

Poesia colectiva – Alunos do 1º Ano, EB1 de Casaldelo
Título: Vamos salvar o mundo

Inês Raquel C.F.M. Silva
Título: Natureza

TEMA: AMOR

Nome: Rafael Ferreira
Título: O amor

Nome: Maria Inês Leal
Título: A procura

Nome: Tiago André Oliveira Resende
Título: Sentimentos

Nome: Nuno Francisco Lima Gomes
Título: A amizade


TEMA: INDÚSTRIA E COMUNIDADE

Nome: Afonso Alves Cunha
Título: O chapéu


Nome: Filipa Carvalho Sousa Pinto
Título: Na minha escola


PRÉMIO REVELAÇÃO

TEMA: OUTROS

Nome: Beatriz Pinho Pereira
Título: Os livros


JOVENS

TEMA: AMOR

Nome: Cátia Freitas
s/ Título

ADULTOS

TEMA: AMOR


Nome: Joaquim de Almeida
Título: Olhos Negros

Heini Bernmat (Out.)
(Maria Adriana Sardinha Seixas), 51 anos)
Título: As Prateleiras

TEMA: AMBIENTE

Nome: Lizete Gomes
Título: Fim de dia

TEMA: OUTROS

Nome: António Augusto de Almeida
Título: Grandes obras

quinta-feira, 15 de abril de 2010

POESIA NA CORDA 2010


No próximo dia 23 de Abril, pelas 18 horas terá lugar na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal a sessão da entrega de prémios aos autores dos poemas da Poesia na Corda 2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

POESIA À MESA EM IMAGENS

Com a cortesia da redacção da localvisão do distrito de Aveiro, pode visionar alguns momentos da Campanha POESIA À MESA 2010.

(clique nas imagens)



quarta-feira, 31 de março de 2010

"Apenas um pretexto…" a propósito da tertúlia poética



Apenas um pretexto…


Um pretexto para encontrar amigos. Um pretexto para conversar. Um pretexto para falar de Poesia. Um pretexto para conhecer Poetas.


O pretexto existiu e a tertúlia aconteceu à volta de textos sem pré-textos. De facto, amena e naturalmente, a conversa fluiu num círculo que nivelou os autores, os leitores, os ouvintes e os organizadores. Todos nos sentimos envolvidos, aprendendo com os que vêem a vida com a sensibilidade de poeta, pincelando palavras, musicando frases e arquitectando ideias…


Esta partilha da palavra poética permitiu-nos perceber a importância da dinamização de eventos culturais que, nos limites da nossa terra, nos projectam para a dimensão do que nacional e internacionalmente se produz.


Cristina Marques


(Cristina Marques, professora da Escola Secundária Oliveira Júnior, foi responsável pela condução da Tertúlia Poética, tendo lançado os temas para debate e incentivando a participação dos diversos poetas presentes)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Livro «Momentos» apresentado no Dia Mundial da Poesia



Leia a notícia completa aqui

Luís Filipe Borges esteve na "Poesia à Mesa"


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peregrinação estática



Veja a notícia completa aqui

serão poético tem "um dinamismo e vitalidade fantásticos"



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a poesia transmite afecto



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escreve poesia?


Ontem dizíamos que o blog da Poesia à Mesa pretende ser um espaço de todos e para todos, um espaço de poesia e sobre poesia, que exista não apenas no mês de Março mas ao longo de todo o ano.

Hoje, não só reiteramos este princípio como desafiamos todos os amantes de poesia a colaborarem na construção deste espaço porque entendemos que a poesia deve estar nas mesas sanjoanenses ao longo de todo o ano.

Por isso, se escreve poesia, se conhece um poeta cujo trabalho aprecie, se leu um novo livro de poesia, se tem uma opinião para partilhar, envie-nos por mail o seu texto e a sua identificação e ao longo do ano publicaremos a sua mensagem.

Não deixe de colaborar e ajude-nos a fazer deste blog uma Ágora de Poesia… porque para falar de poesia ou escrever poesia não há data nem hora marcada.

Contamos consigo e com as suas palavras!
(para participar basta enviar um mail para a biblioteca municipal com o assunto "blog poesia à mesa" - bibliotecamunicipal@cm-sjm.pt )

Tenho o maior prazer em ser comediante, mas não sou só isso



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Momentos de Juventude



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Maria Barroso aplaudida de pé



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Anthero Monteiro: "voluntário pela leitura"



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peregrinação indoor



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e agora algo completamente diferente



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quarta-feira, 24 de março de 2010

ESPADANITOS ANIMAM A FEIRA DO LIVRO


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças
Fernando Pessoa


Porque a música também é poesia, cerca de 25 Espadanitos juntaram-se à Poesia à Mesa e encantaram os visitantes da Feira do Livro no sábado à tarde.

Dirigidos pela Prof. Cristina Ferraz, este maravilhoso grupo de cantores, que conta actualmente com cerca de 50 crianças, entre os 3 e 15 anos de idade, presenteou o público com quatro fantásticas actuações.

Se não assistiu a este espectáculo dê uma espreitadela ao blog dos Espadanitos.

À Prof. Cristina Ferraz o nosso muito obrigada por ter colaborado com esta Campanha de forma tão generosa.

Aos meninos e meninas dos Espadanitos: vocês são mesmo o melhor do mundo!

Sonhos reais

Boa tarde!
Recebi o vosso convite e fiquei muito sensibilizado. Não só pelo convite, mas também, por todo o trabalho que está a ser feito em redor do "nosso" lindo dia. Parabéns.

Em virtude de não poder vir a estar presente, junto envio para a organização um soneto, que acabo de fazer, destinado a este dia tão brilhante para os homens e mulheres que gostam de uma vivência sã e, até, que diga quem assim pensar, imaginária.

David Santos, São João da Madeira


POESIA: SONHOS REAIS


É a grande Luz que em nós reside em cada dia
É o sentir humano que nos enche de esperança
É a alegria na correria e nos risos de uma criança
É o nosso amar declamado e escrito em poesia


É um interior a fazer saltar a realidade ao exterior
É um sofrimento que procura quem o veja sofrer
É uma verdade que deve mostrar-se, não se esconder
É um sítio onde a saudade existe e mora muita dor


Amor dos bons sonhos e da alegria
Amor dos amantes e dos amores
Amor conduzido pela Nobre poesia


Onde ninguém se engana nem há rancores
Onde ninguém sofre de ilusão doentia
Onde, como diz a poesia, só há jardins e flores

David Santos


NOTA:
O blog da Poesia à Mesa pretende também ser um espaço de todos e para todos, que exista não apenas no mês de Março mas ao longo de todo o ano.
Por isso, começamos por publicar um comentário deixado pelo nosso caríssimo amigo David Santos no blog do Museu aproveitando desde já para convidar todos os sanjoanenses a contribuirem com os seus textos e as suas reflexões.
Porque para falar de poesia ou escrever poesia não há data marcada no calendário.

Esperamos por todos vocês.
Muito Obrigada.