segunda-feira, 18 de março de 2013

"A Poesia é para comer" com Ana Vidal e o Chef Nuno Dinis

Em S. João da Madeira andamos a servir poesia à mesa dos sanjoanenses há exactamente 10 anos e no sábado, dia 15 de Março, demos início à 11ª campanha da poesia à mesa com alguém que decidiu ir ainda mais longe e afirmar, como já antes o fizera a Natália Correia, que afinal “A Poesia é para comer”.
 
Com este sugestivo título a Ana Vidal juntou, num mesmo livro, a poesia, a comida e a arte, mostrando que cada uma destas expressões são importantes alimentos para que possamos funcionar como seres humanos.

Por isso, foi com muito gosto que recebemos na feira do livro, a Ana Vidal, mentora deste projecto e cuja actividade profissional está fortemente ligada à área da comunicação, da escrita criativa e da assessoria de imprensa, e o Nuno Dinis, Chef executivo do restaurante A Confraria. 

Conduzidos por Suzana Menezes, numa conversa informal e divertida, estes nossos convidados falaram desta singular experiência que foi a criação do livro "A Poesia é para Comer" reflectindo ainda acerca da íntima e emotiva ligação que afinal parece existir entre poesia, cozinha e arte.

Este livro, que já recebeu o International Cook Book Award, reúne os melhores chefes de cozinha e alguns dos maiores poetas e artistas de arte contemporânea, levando-nos a uma viagem de paladares sem fim.

Na sessão estiveram também presentes os alunos do Curso de Cozinha e Pastelaria do Centro de Educação Integral a quem coube a responsabilidade de organizar o porto de honra e a empresa Meio Sustento que lançou nesse dia as exóticas e muito deliciosas bolachas da poesia à mesa que estarão à venda ao longo de toda a semana na feira do livro.






quarta-feira, 13 de março de 2013

CAMPANHA DA POESIA À MESA 2013


Hoje, no Café Concerto dos Paços da Cultura, decorreu a conferência de imprensa de apresentação do Programa da Poesia à Mesa.

Contando com a presença de diversos jornalistas, o Vice-Presidente, Rui Costa, a Chefe de Divisão da Cultura, Suzana Menezes e a Directora da Biblioteca Municipal, Teresa Azevedo, deram conta dos principais momentos da 11ª edição da Campanha Poesia à Mesa, cuja programação oficial começa já este sábado, dia 16 de Março.

Do vasto leque de actividades que ao longo de mais de uma semana animarão a nossa cidade e trarão uma vez mais a poesia para cima das nossas mesas, destacam-se as habituais declamações nos restaurantes aderentes e, este ano, a declamação de poesia em algumas fábricas da nossa cidade.

Actores como a Eunice Muñoz, o João Reis e o Pedro Lamares, músicos como Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael, Henrique Fernandes, Jorge Coelho, Guto Lucena e António Palma, escritores e poetas como a Alice Vieira, a Ana Luísa Amaral, a Catarina Nunes de Almeida e a Ana Vidal, chefes de cozinha como o Nuno Diniz, serão alguns dos ilustres nomes da cultura portuguesa que este ano se associam a este evento.

Diariamente, daremos conta, neste blog, de todas as iniciativas, espectáculos, oficinas infantis, lançamentos de livros e declamações que decorrerão ao longo desta semana em vários pontos da cidade.

Todas as actividades terão entrada gratuita, devendo, contudo, ser reservado bilhete para os seguintes espectáculos:

16 DE MARÇO, 15H30 - Espectáculo “Como a comida quer o sal”, pelo grupo Bica Teatro, nos Paços da Cultura

21 de Março, 21H30 - Espectáculo "ESTILHAÇOS DE MÁRIO CESARINY" de Adolfo Luxúria Canibal, Paços da Cultura

23 de Março, 21H30 - Serão Poético com Eunice Muñoz, Guto Lucena (saxofone) e António Palma (piano), Paços da Cultura

Contamos consigo. Junte-se à festa da poesia dita nas mesas de S. João da Madeira.


sexta-feira, 8 de março de 2013

"À MULHER" DE Ary dos Santos

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estarj
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher


José Carlos Ary dos Santos
 (1937 – 1984)

quinta-feira, 7 de março de 2013

O FRASEADOR de Pedro Lamares

Numa iniciativa conjunta da SEMANA DA LEITURA e da Campanha POESIA À MESA, realizou-se hoje nos Paços da Cultura o espetáculo O Fraseador de Pedro Lamares, para os alunos das escolas da cidade.

Sobre o espetáculo:

Incidindo sobre textos e autores emblemáticos do universo poético da língua portuguesa (recomendados pelo Plano Nacional de Leitura/ Ler +),   esta é uma viagem pela palavra, um percurso que deseja estimular no público infanto-juvenil o interesse e o amor pela leitura, mas adequado a todos aqueles que amam a palavra, escrita, dita, teatralizada.




© Fotos de Sara Moutinho




Pedro Lamares
Estudou artes plásticas, passou pela escola de jazz do Porto (1996/7), frequentou o curso de preparação para licenciatura em música sacra, na Universidade Católica do Porto, sob orientação do Cónego Ferreira dos Santos (1997/98). Estudou teatro (interpretação) na Academia Contemporânea do Espectáculo (Porto, 1998/2001). Complementou a formação com cursos e oficinas de teatro de rua (Natural Theatre Company, de Inglaterra), voz (Bernard Messuir, da Bélgica), naturalismo (Rogério de Carvalho, de Moçambique), clown (Alan Richardson, de Inglaterra), máscara neutra (Kuniaki Ida, do Japão) e dança vertical (Roc in Lichen, de França).

Participou em espectáculos como “As três irmãs” de tchekov; “Tio Vânia”, de Howard Barker; “O Quebra-nozes” de Tchaikovsky; “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” de Jorge Amado; “Os Saltimbancos” de Chico Buarque; “Carmina Burana” de Carl Orff. Foi dirigido por encenadores, coreógrafos e maestros (Rogério de Carvalho, Mieta Corli, Marcelo Ferreira, Joana Providência, João Paulo Santos, entre outros).

Em televisão integrou o elenco fixo de: “Dei-te Quase Tudo” (de Tozé Martinho – 2005/6, TVI); “Deixa-me Amar” (da Casa da Criação – 2007/8, TVI); “Olhos nos Olhos” (de Rui Vilhena – 2008/9, TVI); “Sentimentos” (de Tozé Martinho –2009/10, TVI). No Brasil gravou “Paixões Proibidas” (de Aimar Labaki – 2006/7, T.V. Bandeirantes e RTP). Participou em dois telefilmes da série Casos da Vida (TVI): A Mulher do Soldado” realizado por Artur Ribeiro (com Sandra Santos, Nicolau Breyner, entre outros) e “Passo em Falso” realizado por António Correia (com Daniela Ruah, João Grosso, entre outros). Participou na série “Pai à Força”, da RTP. Protagonizou várias curtas-metragens.

Desde 1997 vem-se dedicando a espectáculos e recitais de poesia, tendo participado, entre outros, em festivais nacionais e internacionais (Em Voz Alta; Encontros de Talábriga; Bienal Internacional de Poesia; As 24 horas de Poesia); Recitais da Fundação Eugénio de Andrade (Porto e Bruxelas); Quintas de Leitura no Teatro do Campo Alegre (Porto); Comemorações do Dia Internacional da Mulher (Faial e Terceira, Açores); Festa da Poesia, no Centro Cultural de Belém (Lisboa 2008/9); 1º Encontro Nacional de Dezedores de Poesia (Praia da Vitória, Açores). Nesse percurso teve a oportunidade de ler com poetas (Nuno Júdice, Pedro Tamen, António Ramos Rosa, Manuel António Pina, Ana Hatherly, José Tolentino Mendonça, Maria do Rosário Pedreira, Gonçalo M. Tavares, Ana Luísa Amaral, Rosa Alice Branco entre outros) e músicos (como Álvaro Teixeira Lopes, Mário Laginha, Ana Deus, Pedro Abrunhosa, Adolfo Luxúria Canibal, entre outros).

Dirigiu espectáculos de poesia e música, na Casa das Artes de Famalicão, Teatro do Campo Alegre, Casa da Cultura de Paredes, auditório de Castro Daire, entre outros.
Foi professor de expressão dramática no Ginasiano Escola de Dança e no Colégio do Sardão. É formador nas áreas de expressão dramática e leitura de texto. Dedica-se actualmente a cinema e a espectáculos itinerantes de poesia e música. Co-dirige, com Álvaro Teixeira Lopes, o projecto COiNCIDÊNCIA
Notas biográficas retiradas do blog do ator em


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A POESIA À MESA ESTÁ A CHEGAR... Workshops de Poesia nas Escolas do 1º Ciclo

E porque este ano a paragem letiva do período da Páscoa coincide com as datas da Campanha POESIA À MESA 2013, os habituais Workshops de Poesia nas escolas do 1º ciclo da cidade, tiveram de iniciar mais cedo.

Assim, divididas em dois períodos, fevereiro e abril, estas oficinas têm como grande objetivo, estimular o gosto pela poesia e pela palavra poética desde a mais tenra idade.

Este ano, convidamos o ator Pedro Lamares para desenvolver esta atividade que começa com duas pequenas, grandes questões: O que é a Poesia?, Para que serve um livro de Poesia?


4º Ano - EB1/JI RIBEIROS

                                                                                    4º Ano - EB1 ESPADANAL

                                                                                   4º Ano - EB1 FUNDO DE VILA


                                                                                 4º Ano - EB1/JI CASALDELO






 4º Ano EB1/JI PARQUE

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

É belo!


É belo ver a Noite despir-se lentamente diante de nós
e se ainda o sangue aflui a todas as pontes
exangues flutuamos.

Mas sobre a sua armadura tortuosa a das lagostas
o guerreiro nocturno destaca-se
o pôr do sol erguido
como este teu braço romano
de guerreiro
vitorioso no seu fragmento.

E se uma palavra de argila sobeja
(de todas as mais ágil confessemos)
fica eternamente
no canto o mais obscuro e secreto
deste canto.

In "Incurso"
Cruzeiro Seixas
(1920-  )

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O DIA DEU EM CHUVOSO

O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
(1888-1935)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Falecimento da poetisa sanjoanense Rosa Maria


Faleceu a poetisa sanjanense Rosa Maria, artista e mulher, que transportava sempre consigo mensagens de flores, árvores de amarelas mimosas, paisagens de sonho, a quietude dos ocasos terrestres polvilhada com a sua poesia.
Em sua homenagem a equipa da biblioteca recorda este seu poema:

Deixa-me repousar

Deixa-me repousar
Em ti...
Que os meus sonhos
Vivam, para pensar
Que não morri...
Deixa-me sentir
Tudo o que minh'alma sente.
Como o pão nosso de cada dia,
Não posso mais pedir.
Necessito estar presente...
Deixa-me acreditar
Que é verdade...
O tempo vai passando,
E neste meu sonhar
Acordo com felicidade!
Deixa-me repousar
Em ti...


Rosa Maria
In "A magia do sentir" p. 54 
(disponível no Fundo Local)


Rosa Maria de Oliveira Silva Lobo Ribeiro nasceu em Lisboa. Desde 1962 passou a viver em S. João da Madeira. Foi em 1986 que retomou o seu hobby preferido – a pintura – a qual conjugou com a poesia. A textura para a sua pintura inicialmente foi o guache e mais tarde optou por o acrílico e óleo.
Os temas eram o bucólico da natureza que iam ao encontro do seu sentir.
Em 1995 publicou o seu primeiro livro de poesia “Estados de alma”, em 1998 “Ecos do coração”, e em 2005 “A magia do sentir”.
Foi colaboradora no semanário “O Regional” e também no jornal da paróquia “O restaurar”.
Participou em exposições desde 1992 em vários hotéis, nomeadamente, em Oliveira de Azeméis, Espinho, Gaia, S. João da Madeira e Porto. Também em bibliotecas, Câmara Municipal e Salão dos Bombeiros.
Em Janeiro de 2012 expôs na Biblioteca Municipal pela terceira vez, tendo doado à instituição uma das suas produções artísticas "Chapéu astral" acompanhado de um poema sobre o tema.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"GOSTO QUANDO TE CALAS" DE PABLO NERUDA

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou
alegre, alegre de que não seja verdade.


Pablo Neruda (1904-19719
in "20 poemas de amor e uma canção desesperada" (disponível na biblioteca municipal S. João da Madeira)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

POEMA DE NATAL DE VINICIUS DE MORAIS

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


Vinícius de Moraes 
(1913-1980) 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ÓSCAR NIEMEYER (1907-2012)

Autodefinição 

Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo arpássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
miséria do mundo me revolta.
Quero poucomuito poucoquase nada.
arquitetura que faço não importa.
que eu quero é a pobreza superada,
vida mais feliz, a pátria mais amada.
                                             
Óscar Niemeyer
(arquitecto brasileiro)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

BIBLIOTECA VERDE de Carlos Drummond de Andrade



Biblioteca Verde

Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
São só 24 volumes encadernados
em percalina verde.
Meu filho, é livro demais para uma criança.
Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
Quando crescer eu compro. Agora não.
Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra.
Fica quieto, menino, eu vou comprar.
Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com um arranhão recuso, já sabe:
quero devolução de meu dinheiro.
Está bem, Coronel, ordens são ordens.
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.
Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde. Sou
o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não; inveja de mim mesmo)
Ninguém mais aqui possui a coleção
das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
Antes de ler, que bom passa a mão
no som da percalina, esse cristal
de fluida transparência: verde, verde.
Amanhã começo a ler. Agora não.
Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas. Osíris, Medusa,
Apolo nu, Vênus nua… Nossa
Senhora, tem disso nos livros?
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa: Não dorme este menino.
O irmão reclama: Apaga a luz, cretino!
Esparmacete cai na cama, queima
a perna, o sono. Olha que eu tomo e rasgo
essa Biblioteca antes que pegue fogo
na casa. Vai dormir, menino, antes que eu perca
a paciência e te dê uma sova. Dorme,
filhinho meu, tão doido, tão fraquinho.
Mas leio, leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar
de páginas?
Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei
nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE(1902-1987)
(poeta brasileiro)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA

Faleceu Manuel António Pina, aos 68 anos, no hospital de Santo António, no Porto, onde estava internado desde o verão passado. Jornalista, colunista e poeta, foi galardoado com o Prémio Camões o ano passado e recentemente tinha publicado uma colectânea "Todos as palavras". 


Manuel António Pina nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Era jornalista do Jornal de Notícias desde 1971, tendo colaborado noutros órgãos de comunicação social da imprensa, do rádio e da televisão. Ganhou vários prémios, de que se destacam o Prémio Calouste Gulbenkian - Melhor Livro Publicado em Portugal em 1986/1987 com a obra O Inventão, e o Prémio Nacional de Crónica Press Club/Clube de Jornalistas com a obra O Anacronista (1994). Tinha sido premiado anteriormente, dentro e fora de Portugal. A sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, holandês e russo. Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e inspiraram programas de televisão.

A biblioteca possui grande parte das suas obras, aventure-se na sua leitura e em sua homenagem recordemos o poema seguinte.  

A Poesia Vai Acabar 

A poesia vai acabar, 
os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros 
(enquanto os pássaros não acabarem). 
Esta certeza tive-a hoje ao 
entrar numa repartição pública.
 Um senhor míope atendia devagar 
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum 
poeta por este senhor?» E a pergunta 
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
 — Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar?




Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

quinta-feira, 26 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

POESIA NA CORDA 2012

ENTREGA DE PRÉMIOS DO CONCURSO DA POESIA NA CORDA 2012


Hoje, pelas 18 horas, na biblioteca, decorreu a sessão de entrega dos prémios do Concurso Poesia na Corda. Dos 224 poemas entregues foram selecionados os seguintes:



POEMAS PEQUENINOS


TEMA: AMBIENTE

Nome: Bernardo Valente de Melo
Título: Primavera Linda

Nome: Maria João Chousa Santos
Título: Temos de deixar de poluir

TEMA: AMOR

Nome: Pedro Miguel Caldas Lobo
Título: Amar em família

Nome: Maria João R. N. dos Santos
Título: Amor


TEMA: OUTROS

Nome: Inês Silva Costa
Título: Poema do Arco-Íris

Nome: Maria Luís
Título: Ser poeta é…


TEMA: INDÚSTRIA E COMUNIDADE

Nome: Diana Raquel Brandão Moreira
Título: A minha cidade

Nome: Mariana de Jesus Ferreira da Rocha
Título: A minha cidade


JOVENS

TEMA: AMOR

Nome: Fábio Miguel Santos Silva
Título: Tu prometeste

Nome: Cátia da Silva Freitas
Título: Mentira


TEMA: OUTROS

Nome: Marisa Santos
Título: O sapo

Nome: Renato Matos Barbosa
Título: Prazeroso amor pela escrita




ADULTOS

TEMA: AMOR

Nome: Dina Silvério
Título: Sentir

Nome: Lizete Gomes
Título: Poesia


TEMA: OUTROS

Nome: Hélder Almeida
Título: Árvore

Nome: Carlos Alberto Pereira Dias
Título: Mendigo

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ENTREGA DE PRÉMIOS DO CONCURSO POESIA NA CORDA

Ainda no âmbito da 10ª edição da Poesia à Mesa 2012, serão entregues os prémios aos vencedores do Concurso POESIA NA CORDA, amanhã dia 18 de Abril, pelas 18 horas, na sala infantil.
Este concurso é uma iniciativa conjunta da Biblioteca Municipal e da Associação de Jovens Ecos Urbanos de S. João da Madeira que tem por objectivo incentivar o gosto pela poesia e está subordinado aos temas ambiente, amor, indústria/comunidade e outros.

O Prémio será atribuído ao 1º classificado em cada uma das seguintes categorias:

• Criança – até aos 12 anos
• Jovens – dos 12 aos 25 anos
• Adultos – mais de 25 anos

terça-feira, 27 de março de 2012

SERÃO POÉTICO

A Campanha da Poesia à Mesa 2012 encerrou com o Serão Poético do passado sábado, nos Paços da Cultura, com a presença de Simone de Oliveira e o maestro e músico Nuno Feist, conduzido por José Fanha. 
A poesia, os poetas, a conversa, os convidados encantaram e animaram todos os presentes. 


PEREGRINAÇÃO POÉTICA

A peregrinação poética, contou com a participação de Ricardo Carriço, José Fanha e das diversas associações culturais da cidade. Percorreu as 6 estações dedicadas aos 6 poetas homenageados deste ano, e a sua poesia este em destaque.
Esta iniciativa ainda contou com a "Arruada", um espetáculo de animação de rua com percussão, fogo e dança, pela Associação Ecos Urbanos. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

CONCERTO DO CORO DE CÂMARA

O final da tarde do passado sábado foi preenchida com um concerto pelo Coro de Câmara de São João da Madeira que homenageou vários poetas emblemáticos da nossa literatura como Luís de Camões.

POESIA COM ARTE

Pelas 16h00 do sábado passado, na Feira do Livro, o Serviço Educativo da Biblioteca Municipal juntou-se à festa da poesia para realizar a oficina "Poesia com Arte" no espaço da Feira do Livro decorado com os trabalhos realizados pelas crianças das escolas da cidade, no âmbito do Projeto Poesia de Encantar inserido no Projeto Educativo Municipal. 
As crianças divertiram-se imenso ao criarem poemas alusivos a variados temas que depois ilustraram. Tivemos ainda, a agradável surpresa de ouvir o Sr. Germano a declamar poesia enquanto as crianças realizavam a oficina.