segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
“OS POETAS” DE RODRIGO LEÃO
Numa noite mágica e encantatória, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes revelam as melodias e as palavras de algumas das mais importantes vozes da cultura portuguesa como Mário Cesarinny, Herberto Helder, Luíza Neto Jorge, Al Berto e Adília Lopes.
Instrumental
de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes
“OS POETAS” DE RODRIGO LEÃO
Poema "Há uma hora, há uma hora certa”, de Mário
Cesariny com música de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes.
12 DE MARÇO | 22H | CASA DA CRIATIVIDADE | BILHETES À VENDA
12 DE MARÇO | 22H | CASA DA CRIATIVIDADE | BILHETES À VENDA
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
"OS POETAS" DE RODRIGO LEÃO
Rodrigo Leão e Gabriel Gomes voltam a
encontrar-se num palco cheio de poesia. “Os Poetas” é um disco e
espetáculo onde estes dois veteranos músicos descobrem as melodias que
carregam os poemas de algumas das mais importantes vozes da nossa
paisagem poética como Mário Cesarinny, Herberto Helder, Luísa Neto Jorge
e Adília Lopes.
"O Navio de Espelhos" que aqui reproduzimos é um poema de Mário Cesarinny.
12 DE MARÇO | 22H | CASA DA CRIATIVIDADE | BILHETES À VENDA
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
RODRIGO LEÃO ABRE CAMPANHA DA POESIA À MESA COM “OS POETAS
Quando à música falada se mistura performance, o resultado é um espetáculo
único e encantatório
Em 2016, a Campanha “Poesia à Mesa” abre com o
extraordinário espectáculo “Os Poetas”, um projecto de Rodrigo Leão e
Gabriel Gomes.
O espectáculo decorre na Casa da Criatividade, no dia 12 de
Março, sábado, às 22h, e junta em palco Rodrigo Leão, Gabriel Gomes, Sandra
Martins e Viviena Tupikova, tendo como convidado especial o ator Cláudio da
Silva que, em 2011, foi galardoado com o Prémio Melhor Ator de Cinema, pela
Sociedade Portuguesa de Autores, pelo seu papel em “Filme do Desassossego” de
João Botelho.
Mário Cesariny, Herberto Hélder, Adília Lopes, António Ramos
Rosa, Al Berto e Luiza Neto Jorge são os poetas cantados, ditos e musicados ao
longo desta noite mágica.
Os bilhetes estão à venda a partir de hoje na
BilheteiraOnline (http://cmsjm.bol.pt/),
na Casa da Criatividade, Paços da Cultura, lojas FNAC, CTT, Centro Comercial
8.ª Avenida (Worten), El Corte Inglês, Pousadas da Juventude, a linha 24h de
reservas e informações 18 20 do MEO e os Quiosques Serveasy (novos locais).
Pequena biografia
O projecto “OS POETAS” surgiu de
encontros entre Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Hermínio Monteiro, então editor
da Assírio & Alvim, em cujo espólio existiam gravações de poetas a dizerem
os próprios poemas.
“Entre Nós e as Palavras”, de
1997, foi o resultado de meses intensos de composição, de uma afinidade com os
poetas escolhidos e da amizade cúmplice entre os dois músicos, que se nota
muito quando compõem e quando atuam.
Com Francisco Ribeiro
(ex-Madredeus) e Margarida Araújo nas cordas, o ensemble fez alguns concertos
ainda nos anos 90.
“Os Poetas” regressam agora
“Os Poetas” regressam com a
reedição do álbum “Entre Nós e As Palavras”, de 1997, há muito esgotado.
Durante o ano de 2012, compuseram novas músicas e reformularam o espetáculo,
projetando os textos e chamando o ator Miguel Borges para dizer poemas. Viviena
Tupikova e Sandra Martins vieram completar o ensemble.
O novo modelo de atuação ao vivo
resultou plenamente no concerto no cinema São Jorge, em 2012, onde foi bem
notória a adesão e a proximidade calorosa do público. Mas também nas
apresentações mais recentes no CCB, Teatro Aveirense e Casa da Música.
O espetáculo tem uma vertente de
música com instrumentais; tem poetas [gravados] a dizerem os seus próprios
poemas; e, depois, tem uma vertente um pouco teatral, que é o ator que encarna
a personagem e diz os poemas.
Não é este um concerto para
eruditos ou específicos leitores e amantes de poesia. Sendo a palavra
importantíssima e ponto de partida para a composição - ela é o comandante deste
“Navio de Espelhos” - a música não é um mero suporte pois acaba por se fundir
com os poemas.
Assim, à música falada mistura-se
a performance, resultando num espetáculo único e encantatório.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Pela obra “O Movimento Impróprio do Mundo” Prémio Literário João da Silva Correia distingue Sara F. Costa em 2015
Sara F. Costa é a vencedora do Prémio Literário João da Silva Correia, cuja edição de 2015 foi dedicada à Poesia, com a obra “O Movimento Impróprio do Mundo”.
Esta
distinção é atribuída pela Câmara Municipal de S. João da Madeira e
traduz-se num apoio monetário à publicação do título escolhido pelo
júri, até ao montante máximo de 2.000 euros.
Em “O Movimento Impróprio do Mundo”, segundo o júri do concurso - constituído pela representante do Município de S. João da Madeira, Suzana Menezes, pelo representante da Âncora Editora, António Baptista Lopes, e pelo poeta José Fanha -, a autora “apresenta uma escrita fluida e ampletiva, tonalizada com algum humor, aparentemente simples, mas trabalhada e consistente".
Em “O Movimento Impróprio do Mundo”, segundo o júri do concurso - constituído pela representante do Município de S. João da Madeira, Suzana Menezes, pelo representante da Âncora Editora, António Baptista Lopes, e pelo poeta José Fanha -, a autora “apresenta uma escrita fluida e ampletiva, tonalizada com algum humor, aparentemente simples, mas trabalhada e consistente".
Abordando
temáticas atuais e referências a símbolos identitários nacionais,
o livro premiado contém um conjunto de poemas que desenvolvem uma
reflexão poética intensa e envolvente em torno do quotidiano do próprio
poeta, transportando o leitor para universos marcadamente
pessoalizados”.
Esta
é a terceira vez que uma obra de Sara F. Costa,
escritora e poetisa, vence este concurso literário promovido pela
autarquia sanjoanense, depois de já ter sido distinguida por “Uma
Devastação Inteligente”, em 2007, e “O Sono Extenso”, em 2011.
O
avô materno de Sara F. Costa nasceu e cresceu em S. João da Madeira,
cidade onde a jovem autora – natural da vizinha freguesia de Cucujães,
no concelho de Oliveira de Azeméis – fez a sua formação até à conclusão
do ensino secundário, na Escola Dr. Serafim Leite.
A ligação ao município sanjoanense é uma das condições definidas no regulamento do Concurso João da Silva Correia, lançado em 2006 pela Câmara de S. João da Madeira, para “promover e consolidar hábitos de leitura e de escrita criativa”, estimulando um “envolvimento efetivo da população” e “incentivando o aparecimento de novos valores” na literatura.
A ligação ao município sanjoanense é uma das condições definidas no regulamento do Concurso João da Silva Correia, lançado em 2006 pela Câmara de S. João da Madeira, para “promover e consolidar hábitos de leitura e de escrita criativa”, estimulando um “envolvimento efetivo da população” e “incentivando o aparecimento de novos valores” na literatura.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
"BALADA DA NEVE" DE AUGUSTO GIL
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.
|
Augusto Gil, Luar de Janeiro
advogado e poeta (1873-1929)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
"ROMANCE DE UM FUTURO NATAL" DE DAVID MOURÃO FERREIRA
Vai a caminho de Marte
um foguetão de turistas
Turismo pobre... É um charter
de tarifa reduzida
Ou serão refugiados
Parece que vão fugidos
Quem sabe de que se escapam
Quem sabe a que vão fugindo
Consta da lista uma grávida
com ar de Madona antiga
das que inda se desenhavam
nos fins do século vinte
Chegou à pista de embarque
mesmo à hora da partida
E traz escrito na face
aquilo que decidira
Não quer que seu filho nasça
na Terra que vai perdida
Dão-lhe razão
Todos sabem
que funda razão lhe assiste
Todos conhecem o estado
que a pobre Terra atingiu
sobretudo após a grave
crise do século trinta
Vão a caminho de Marte
como quem foge à desdita
Sentem-se dentro da nave
bastante mais protegidos
É como voltar ao espaço
de antes de haverem nascido
Todos a grávida tratam
com cuidados infinitos
E sonham Talvez em Marte
nem tudo esteja perdido
Mas não sabem que na cápsula
um grupo de terroristas
vai sabotando a viagem
mudando o rumo previsto
Fica tudo executado
em pouco mais de três dias
E torna de novo a nave
quase ao ponto de partida
Quem mais se aflige é a grávida
com ar de Madona antiga
ao ver que à Terra terá de
ir entregar o seu filho
Já lhe rebentam as águas
quando se apeia na pista
Já pra dentro de uma cave
os outros a encaminham
Já por entre as dores do parto
um facho de luz luzia
Quem sabe se necessário
não fora enfim tudo isso
para que à Terra baixasse
mais um resgate possível
Pálida pálida pálida
lívida lívida lívida
de costas a mulher grávida
já vagamente sorria.
David Mourão-Ferreira (1927-1996)
um foguetão de turistas
Turismo pobre... É um charter
de tarifa reduzida
Ou serão refugiados
Parece que vão fugidos
Quem sabe de que se escapam
Quem sabe a que vão fugindo
Consta da lista uma grávida
com ar de Madona antiga
das que inda se desenhavam
nos fins do século vinte
Chegou à pista de embarque
mesmo à hora da partida
E traz escrito na face
aquilo que decidira
Não quer que seu filho nasça
na Terra que vai perdida
Dão-lhe razão
Todos sabem
que funda razão lhe assiste
Todos conhecem o estado
que a pobre Terra atingiu
sobretudo após a grave
crise do século trinta
Vão a caminho de Marte
como quem foge à desdita
Sentem-se dentro da nave
bastante mais protegidos
É como voltar ao espaço
de antes de haverem nascido
Todos a grávida tratam
com cuidados infinitos
E sonham Talvez em Marte
nem tudo esteja perdido
Mas não sabem que na cápsula
um grupo de terroristas
vai sabotando a viagem
mudando o rumo previsto
Fica tudo executado
em pouco mais de três dias
E torna de novo a nave
quase ao ponto de partida
Quem mais se aflige é a grávida
com ar de Madona antiga
ao ver que à Terra terá de
ir entregar o seu filho
Já lhe rebentam as águas
quando se apeia na pista
Já pra dentro de uma cave
os outros a encaminham
Já por entre as dores do parto
um facho de luz luzia
Quem sabe se necessário
não fora enfim tudo isso
para que à Terra baixasse
mais um resgate possível
Pálida pálida pálida
lívida lívida lívida
de costas a mulher grávida
já vagamente sorria.
David Mourão-Ferreira (1927-1996)
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