Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Luísa Amaral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Luísa Amaral. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de maio de 2014

"LUGARES COMUNS" DE ANA LUÍSA AMARAL

Entrei em Londres
num café manhoso (não é só entre nós
que há cafés manhosos, os ingleses também
e eles até tiveram mais coisas, agora
é só a Escócia e um pouco da Irlanda e aquelas
ilhotazitas, mas adiante)

Entrei em Londres
num café manhoso, pior ainda que um nosso bar
de praia (isto é só para quem não sabe
fazer uma pequena ideia do que eles por lá têm), era
mesmo muito manhoso,
não é que fosse mal intencionado, era manhoso
na nossa gíria, muito cheio de tapumes e de cozinha
suja. Muito rasca.

Claro que os meus preconceitos todos
de mulher me vieram ao de cima, porque o café
só tinha homens a comer bacon e ovos e tomate
(se fosse em Portugal era sandes de queijo),
mas pensei: Estou em Londres, estou
sozinha, quero lá saber dos homens, os ingleses
até nem se metem como os nossos,
e por aí fora...

E lá entrei no café manhoso, de árvore
de plástico ao canto.
Foi só depois de entrar que vi uma mulher
sentada a ler uma coisa qualquer. E senti-me
mais forte, não sei porquê mas senti-me mais forte.
Era uma tribo de vinte e três homens e ela sozinha e
depois eu

Lá pedi o café, que não era nada mau
para café manhoso como aquele e o homem
que me serviu disse: There you are, love.
Apeteceu-me responder: I’m not your bloody love ou
Go to hell ou qualquer coisa assim, mas depois
pensei: Já lhes está tão entranhado
nas culturas e a intenção não era má e também
vou-me embora daqui a pouco, tenho avião
quero lá saber

E paguei o café, que não era nada mau,
e fiquei um bocado assim a olhar à minha volta
a ver a tribo toda a comer ovos e presunto
e depois vi as horas e pensei que o táxi
estava a chegar e eu tinha que sair.
E quando me ia levantar, a mulher sorriu
como quem diz: That’s it

e olhou assim à sua volta para o presunto
e os ovos e os homens todos a comer
e eu senti-me mais forte, não sei porquê,
mas senti-me mais forte

e pensei que afinal não interessa Londres ou nós,
que em toda a parte
as mesmas coisas são


Ana Luísa Amaral 
(1956-)

segunda-feira, 25 de março de 2013

PEREGRINAÇÃO POÉTICA

A Peregrinação Poética que envolveu vários grupos da cidade, que adoptaram um dos seis poetas homenageados e lhe deram voz, contaram com a participação dos atores João Reis, Pedro Lamares, o poeta José Fanha e as poetisas Ana Luísa Amaral e Catarina Nunes de Almeida.
Os Ecos Urbanos trataram da animação do espetáculo, que desta vez decorreu no espaço do Mercado Municipal.


 A Universidade Aberta deu voz a Alice Vieira




 A Universidade Sénior deu voz a António Nobre



Os Ecos Urbanos deram voz a Catarina Nunes de Almeida
 


O Espaço Aberto de voz a Mário Cesariny
A APROJ deu voz a Vinicius de Moraes
O TOJ deu voz a Ana Luísa Amaral

sexta-feira, 22 de março de 2013

22 Março - Poesia à Mesa



Hoje a poesia vai ao Mercado Municipal...

21h30 - Peregrinação Poética com o ator João Reis - numa noite que é longa e que é de peregrinação, seis estações irão receber as performances poéticas de vários grupos da cidade acompanhados pelo ator João Reis, Pedro Lamares, e os poetas José Fanha, Ana Luísa Amaral e Catarina Nunes de Almeida e pelo belíssimo espetáculo no Mercado Municipal organizado pelos Ecos Urbanos



Assim, cada instituição participante declamará poesia de cada um dos seis poetas homenageados este ano, a saber:

  • Universidade Aberta - Alice Vieira
  • Universidade Sénior - António Nobre
  • APROJ - Vinicius de Moraes
  • Ecos Urbanos - Catarina Nunes de Almeida
  • Espaço Aberto - Mário Cesariny 
  • TOJ - Ana Luísa Amaral
Durante todo o dia...

E se tem uma boa voz não deixe de participar na iniciativa “Solta a tua voz e grava um poema” do Centro de Leitura Especial (CLE) que convida todos os sanjoanenses a emprestar a voz para a gravação de um poema que dará origem  ao CD “A minha voz num poema”. Este CD integrará o espólio do CLE, permitindo a sua fruição por todos os utentes daquele espaço. 
Desta forma fica o mote: traga o seu poema preferido ou escolha um poema na Feira do Livro.