quarta-feira, 19 de março de 2014
POESIA NA FÁBRICA FEPSA
Ontem, pelas 17 horas decorreu uma sessão de Declamação Poética na Fábrica FEPSA por Pedro Lamares e alguns trabalhadores da fábrica.
terça-feira, 18 de março de 2014
DECLAMAÇÃO POÉTICA NO RESTAURANTE RIVER
ntem, pelas 20h30 decorreu a Declamação Poética no Restaurante River por Pedro Lamares e alguns elementos do grupos APROJ e Universidade Aberta.






TERTÚLIA POÉTICA
Hoje, pelas 18 horas decorrerá a Tertúlia Poética dos poetas sanjoanenses, na Biblioteca Municipal.
A Profª Cristina Marques irá conduzir o encontro à semelhança dos anos anteriores.
A Profª Cristina Marques irá conduzir o encontro à semelhança dos anos anteriores.
segunda-feira, 17 de março de 2014
POESIA NAS FÁBRICAS - ACADEMIA DE DESIGN DE CALÇADO (CFPIC) E LÁPIS VIARCO
Hoje, pelas 14h30 decorreu uma sessão de declamação poética para os alunos da Academia de Design de Calçado (Antigo Centro de Formação Profissional da Indústria de Calçado) por Pedro Lamares.
Mais tarde, pelas 15h30 houve declamação na Fábrica de Lápis VIARCO
EXPOSIÇÃO "ENTRE AS MÃOS E O SONHO" DE ADÃO CRUZ E JOÃO ALEXANDRE
No âmbito da Campanha da Poesia à Mesa 2014, na passada 6ª feira, pelas 18 horas decorreu a inauguração da exposição de pintura e poesia "Entre as mãos e o sonho" de Adão Cruz e João Alexandre, na qual marcaram presença muitos amigos e admiradores dos artistas.
Não deixem de visitar esta exposição e deparar com uma tela azul que nos diz:
Não deixem de visitar esta exposição e deparar com uma tela azul que nos diz:
"Não sei fazer uma rosa e nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha.
Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites nem isso me apoquenta.
Não sei criar o brilho do poema azul... e isso dá-me vontade de morrer."
os artistas João Alexandre e Adão Cruz
sexta-feira, 14 de março de 2014
CONVITE -Inauguração da Exposição de Pintura e Poesia “Entre as mãos e o sonho” de Adão Cruz e João Alexandre, pelas 18 horas
O programa oficial da Campanha Poesia à Mesa 2014 arranca hoje com a inauguração da Exposição de Pintura e Poesia “Entre as
mãos e o sonho” de Adão Cruz e João Alexandre, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal.
A mostra ficará patente de 14 de Março a 14 de Abril.
“Entre as
mãos e o sonho”
Entre as mãos e o sonho nascem as coisas. E as coisas são de água e pedra,
de dor e alegria, de cor e sombra de realidade e fantasia. E também são de
poesia as coisas que nascem entre as mãos e o sonho, as coisas da vida.
A criação não precisa de donos e intérpretes mas de sentimentos, de
encontros e desencontros no desenrolar das coisas entre as mãos e o sonho.
As coisas não nascem dos dias seguidos e de acasos, mas das horas sem tempo
dos dias vividos entre o ontem e o amanhã na realidade e absurdo do hoje e
agora.
A eterna beleza permanece entre as mãos e o sonho, a luz incendeia a esperança
onde vive a angústia e o que somos por dentro desnuda a forma de moldar as
coisas.
Entre as mãos e o sonho há uma vasta planície de esperança, uma montanha
mágica de silêncio e uma calma harmonia do mar que nos fazem emigrar para fora
de nós mesmos.
Depois vem a lua e os braços do luar como algas de luz, depois vem o sonho
recuperar a paz do fundo do mar.
Adão Cruz
Natural de Vale de Cambra. Escreve desde jovem e pinta desde a década de
oitenta. Tem nove livros publicados.
Várias exposições de pintura em Portugal e outros países.
João Alexandre
Nasceu em 1960 em Sever do Vouga.
Em 1982 licenciou-se em artes plásticas na Faculdade de Belas Artes de São
Paulo.
Em 1992 estabeleceu-se como artista plástico no Porto.
Desde essa altura tem realizado exposições individuais e coletivas em locais
como:
Prémio Baviera de Pintura – Fundação de Serralves, Porto (2000); Museu
Nacional Santos Rocha – Figueira da Foz (2001);Palácio Foz - Lisboa (2002); “Europa Arte Languases” Spazio,
Lab. Del Liceu Artístico – Milão, Itália (2003); Galeria BNC Art Barcelona,
Espanha (2003); “Ambiguidades” Museo de Cáceres – Cáceres, Espanha (2006);
“Statos Quo” Galerie Révol – Oloron Sainte-Marie, França (2007); “Regardes
Croisés” Galerie Art et Vision – Genève, Suisse (2007); “Modus Operandi” Centro
das Artes do Espectáculo – Sever do Vouga (2010).
terça-feira, 11 de março de 2014
POESIA À MESA 2014
A Poesia à Mesa é um projecto da Câmara Municipal de S. João da Madeira
que tem vindo a assumir um papel cultural de destaque a nível nacional. Em
2014, este evento único que transforma S. João da Madeira na Capital da Poesia
completa 11 de existência, naquela que é a sua 12ª edição.
Muito mais do que apenas assinalar o Dia Mundial da Poesia, esta
campanha tem vindo a contribuir para a promoção e divulgação de um vasto
conjunto de poetas e suas obras, incentivando toda a população a adquirir
hábitos da leitura através de um conjunto de acções muito diversificado e
dirigido a diferentes segmentos de públicos.
Todos os anos são selecionados e homenageados seis poetas, cuja obra
fica em destaque durante todo o mês de março, em todas as iniciativas culturais
organizadas. Este ano é homenageados os poetas Inês Pupo, Vasco Gato, Ary dos
Santos, Jorge Sousa Braga, Luíza Neto Jorge e Ana Paula Tavares.
Como marca distintiva desta iniciativa, saliente-se a produção de um
vasto conjunto de materiais (programas, outdoors,
cartazes, pendentes de rua, toalhetes de mesa e bases de copos e
chávenas, pacotes de açúcar, sacos de pão, aventais, lápis) onde são impressos
os textos dos poetas trabalhados a cada campanha. Distribuídos massivamente
estes materiais levam aos restaurantes, cafés, bares, padarias e comércio em
geral, a palavra do poeta e a sua própria imagem.
Deixamos aqui o programa e o convite para participar nas diversas atividades que decorrem de 10 a
28 de março.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Querem uma Luz Melhor que a do Sol!
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935)
segunda-feira, 3 de março de 2014
Meu bebé para dar dentadas de Fernando Pessoa
Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa cousa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas «não estou pensando em ti». Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da «caça aos pombos»; e isto é uma cousa, como tu sabes, com que tu não tens nada...
Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem-disposta, e eu estava bem-disposto, e o dia estava bem-disposto também. (O meu amigo, Sr. A.A. Crosse está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado.)
Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro.)
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo... Meu Bebé para sentar no colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para... (e depois o Bebé é mau e bate-me...) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuas sendo, mas longe de mim.
Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho... Vem... Estou tão só, «tão só de beijinhos»...
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer. Ao menos isso era uma consolação... Mas tu, se calhar, pensas menos em mim do que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C! Má, má, má, má, má...!!!!!
Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo, para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1.° espírito, 2.° cabeça, 3.° balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durante todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu.
Fernando (Nininho)
Fernando Pessoa, in 'Carta a Ofélia Queiroz' (5 Abr 1920)
13 Jun 1888 // 30 Nov 1935
Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa cousa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas «não estou pensando em ti». Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da «caça aos pombos»; e isto é uma cousa, como tu sabes, com que tu não tens nada...
Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem-disposta, e eu estava bem-disposto, e o dia estava bem-disposto também. (O meu amigo, Sr. A.A. Crosse está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado.)
Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro.)
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo... Meu Bebé para sentar no colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para... (e depois o Bebé é mau e bate-me...) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuas sendo, mas longe de mim.
Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho... Vem... Estou tão só, «tão só de beijinhos»...
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer. Ao menos isso era uma consolação... Mas tu, se calhar, pensas menos em mim do que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C! Má, má, má, má, má...!!!!!
Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo, para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1.° espírito, 2.° cabeça, 3.° balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durante todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu.
Fernando (Nininho)
Fernando Pessoa, in 'Carta a Ofélia Queiroz' (5 Abr 1920)
13 Jun 1888 // 30 Nov 1935
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