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domingo, 24 de março de 2019

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA E POESIA DE ADÃO CRUZ

O sentimento poético e o sentimento artístico estiveram presentes na inauguração da exposição de Pintura e Poesia "... Como um dia de primavera nos olhos de um prisioneiro" de Adão Cruz.

Marcaram presença vários representantes do Município, amigos, admiradores e alguns familiares.

Adão Cruz encantou todos os presentes com a seleção de poesia escrita, expressa junto de algumas telas e a sua poesia dita com grande sentimento. Adão é um homem que ainda pára para pensar, refletir e, muitas vezes, deixa-se emocionar com as injustiças mundiais que prevalecem, apesar da fantástica evolução do homem. Também confessou a sua preocupação que, na atual sociedade da informação, permaneça uma grande crueldade com a indiferença e a "banalização do mal".

Adão Cruz é médico, cardiologista, natural de Vale de Cambra, no entanto com fortes ligações a S. João da Madeira, onde tem criado laços de amizade que vão marcando a vida das pessoas que o rodeiam, assim como com os seus doentes.

Sempre amou a liberdade do pensamento e da razão, e foi dentro deste amor que a escrita e a pintura também o ajudaram a abraçar a vida.
Tem doze livros publicados, na área da literatura e da pintura, e fez várias exposições, sobretudo em Portugal e Espanha.

As pinturas, a poesia e os seus livros encontram-se expostos na Biblioteca Municipal.

Vale a pena visitar!






 






INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA E POESIA DE ADÃO CRUZ | 08 MARÇO | 18H00 |


O sentimento poético e o sentimento artístico são irmãos gémeos. Ou trigémeos, se os irmanarmos com a sua própria essência, o sentimento da beleza. Quase místicos, quase indefiníveis, eles geram a sublimidade da mente, a força incontida do desejo de ser-se de outra natureza, a necessidade de fugir do não autêntico, um quase sentir a verdade total e a dimensão universal.
Sem eles, dificilmente uma obra será uma obra de arte, dificilmente poderá adquirir a grandeza em que todos os processos formais serão ofuscados pelos seus próprios efeitos, dificilmente terá tantas estórias quantos os olhos que a contemplam.


Quem é Adão Cruz?
Médico cardiologista.
Nasceu em Vale de Cambra há oito décadas.
Sempre amou a liberdade do pensamento e da razão, e foi dentro deste amor que a escrita e a pintura também o ajudaram a abraçar a vida.
Tem doze livros publicados, na área da literatura e da pintura, e fez várias exposições, sobretudo em Portugal e Espanha.



quarta-feira, 6 de março de 2019

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA E POESIA DE ADÃO CRUZ



A poesia continua a invadir a cidade, e muitas vezes de mão dada com a pintura.

Não perca a inauguração da Exposição de Adão Cruz, sexta feira, pelas 18h!

#poesiaamesa2019
#poesiaamesa
#culturasjm


sexta-feira, 3 de julho de 2015

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"25 de Abril" de Adão Cruz

Um cravo vermelho, cristal de vida no céu de chumbo, cada dia um mundo limpo e perfumado,
graças a ti flor da minha idade.

Caminho da esperança às portas da cidade, todo o mel e todos os frutos ali à mão.

Graças a ti cravo vermelho que venceste a solidão, veio o tempo ao nosso encontro e a manhã
despertou agitando as árvores.

E a noite se fez de estrelas que desceram aos cantos do jardim.

Um cravo vermelho e quente, mais que tudo amando a vida em qualquer língua entendida.

O mundo tinha o sabor de uma maçã, e os olhos inacabados eram cravos vermelhos.

Não havia cárceres nem torturas, apenas o calor de uma fogueira na praça do entusiasmo, e
uma jovem mulher dormindo um sono de criança nos telhados da revolução.

O seu rosto era uma nuvem dourada pelo sol e pela lua, os cabelos trigueiros uma seara e nos lábios a canção de Abril que encheu a rua.

Adão Cruz (1937- )
(médico cardiologista, poeta, pintor)

segunda-feira, 17 de março de 2014

EXPOSIÇÃO "ENTRE AS MÃOS E O SONHO" DE ADÃO CRUZ E JOÃO ALEXANDRE

No âmbito da Campanha da Poesia à Mesa 2014, na passada 6ª feira, pelas 18 horas decorreu a inauguração da exposição de pintura e poesia "Entre as mãos e o sonho" de Adão Cruz e João Alexandre, na qual marcaram presença muitos amigos e admiradores dos artistas.
Não deixem de visitar esta exposição e deparar com uma tela azul que nos diz: 
"Não sei fazer uma rosa e nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha.
Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites nem isso me apoquenta.
Não sei criar o brilho do poema azul... e isso dá-me vontade de morrer." 

 os artistas João Alexandre e Adão Cruz

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"AO DR. RENATO" DE ADÃO CRUZ

Apenas dois raios da frouxa luz do crepúsculo penetram na janela e
atravessam a sala, bordejando timidamente a penumbra e tocando de leve

brilho os sapatos negros.

No além do quarto, para lá da porta, a densa quietude da paz e do silêncio.

Sobre a cama um corpo sem dobras, estendido de cima a baixo

Nem uma vela nem uma flor nem uma renda.


O mesmo leito onde dormiu os sonos temporários.

O mesmo leito onde o sono temporário se fez definitivo.

A nudez física, de singelo pudor enfiada num longo e magro fato preto.

A nudez da vida, despida de mentira, vaidades e impurezas.

A nudez da morte, limpa de crenças e fantasias.

A nudez da vida e da morte abraçadas, por fim, no esquálido enconto de um

corpo que foi gente.

Gente que a gente não gosta de ver partir, por ser rara,

Por ser um verso do Universo, ou simples protão, mas daqueles que deixam na sua órbita um rasto de luz e dignidade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

ADÃO CRUZ - "UM GESTO DE SILÊNCIO"


Médico, pintor e poeta, lançou a sua sétima publicação com poemas e pinturas sob o tema silêncio.


Segundo o autor "a grande força da nossa vida reside no silêncio, a primeira voz que um homem ouve quando está dentro de si" e "só o silêncio permite desvendar as verdades dentro de nós, tendo muitas vezes vontade de as gritar".



A poesia não é mais que um dilema


Entre o silêncio e a palavra.


Por isso nunca sei se é grito ou é silêncio


O que há na essência do poema.


O silêncio não é palavra


Se a palavra é de silêncio.


O silêncio é uma pausa


nas palavras dos poemas


que se gritam em silêncio


por entre as horas da vida.


O silêncio não é silêncio


por entre as horas da vida.


O silêncio não é silêncio


Se há silêncio na palavra


Quando a palavra é melodia.

terça-feira, 13 de julho de 2010

AMIGO SARAMAGO DE ADÃO CRUZ

Amigo Saramago

Tu morreste, segundo me informaram, em plena lucidez e consciência, sem qualquer medo ou surpresa em relação à morte. Foi assim e não podia ser de outra maneira, porque tu tinhas da vida e da morte o conceito antropológico, filosófico e de liberdade com que vivem e morrem os homens que não são homens vulgares.
E tu não foste um homem vulgar. Do ponto de vista literário, tu fizeste o que, até aí, ninguém fez, talvez depois do Padre António Vieira. Revolucionaste a literatura, quebraste a cristalização da literatura clássica como se tivesses feito explodir um fogo de artifício ao fim da página trinta ou quarenta do teu “Levantado do chão”. Criaste uma profunda influência na maior parte dos escritores portugueses actuais. E não só portugueses.
Consta-se que nunca disseste mal ou menosprezaste outro escritor. Por isso, creio que não desprezarás a minha opinião. Passaram perante os meus olhos, nas minhas leituras, além de ti, dezenas, se não centenas de escritores, desde a minha juventude, desde aqueles dezoito anos, em que eu devorava Dostoievski, debaixo dos lençóis, à luz de um foco olho-de-boi para que minha mãe não visse. Sinto que tenho algum direito a falar da tua obra. E a tua obra foi das mais belas que li, das que mais me ensinaram e perturbaram, no construtivo sentido que a perturbação pode trazer, das mais difíceis de construir, das mais penosas a levantar do chão.
E fizeste-o com toda a humildade e sabedoria das grandes mentes que têm a noção da sua pequenez humana. Basta ver que por todos os teus livros vagabundeia um narrador que não és tu nem uma personagem inventada, um fio condutor que não é obra estéril de ficção, mas a voz de um povo, a voz do povo, a voz da humanidade. Quem fala nas entrelinhas de toda a tua obra é a humanidade. Magnífica mensagem, a da humanidade silenciada. Comoves-me, meu amigo, porque entraste profundamente no coração do meu pensamento.
Mas a tua escrita, profunda e admirável escrita, que vai desde a esperança ao descrédito na humanidade, é a tua humanidade. A escrita do pensador, a lucidez do escritor, a humanidade do ser humano, a humanidade do criador de utopias, que consegue ter a coragem de chegar ao fim da vida sorrindo das suas próprias utopias. Morres com um sorriso nos lábios, não pela paz do mundo pela qual lutaste, mas com a paz de quem tudo fez para que assim não fosse, depois de teres dito ou pensado que, no fim de contas, das tuas contas, o homem é uma merda, um vírus que apareceu na cadeia evolutiva, metido à força no gráfico de Hillis, contaminando, irremediavelmente, não só toda a humanidade como toda a ordem natural dos seres vivos. Creio que tens razão, embora mantenha ainda a esperança ou a utopia de a não teres.

Adão Cruz
In Jornal Labor
24-06-2010