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sábado, 13 de março de 2021

Poetas homenageados em 2021

De 15 a 21 de março, a poesia regressa à cidade de S. João da Madeira, que recebe a 19ª edição do Festival Poesia à Mesa. Atendendo às circunstâncias atuais do país e à pandemia, em formato diferente, mais simbólico, mas com a mesma intensidade e cumplicidade poéticas.


Com um programa que se constrói de palavras, o Festival divulga um conjunto de poetas e as suas obras, indo ao encontro do seu público, de forma segura e controlada, com uma  componente, exclusivamente,  virtual através das redes sociais do Município.  


Todos os anos são homenageados 6 poetas. Tal como em 2020, o Festival Poesia à Mesa dará destaque a Andreia C. Faria, Fernando Assis Pacheco, Herberto Helder, Mafalda Veiga, Mário-Henrique Leiria e Soror Violante do Céu.









sexta-feira, 9 de outubro de 2020

TRÊS POEMAS DE LOUISE GLÜCK (1943-) - NOBEL DA LITERATURA 2020

 

Louise Glück nasceu em Nova Iorque em 1943, cresceu em Long Island, frequentou o Colégio Sara Lawrence e Columbia University. É considerada por muitas pessoas como uma das mais talentosas poetisas contemporâneas.

Glück é conhecida pela sua poesia tecnicamente precisa, sensitiva, focada nos temas da solidão, relações humanas, divórcio e morte.

[tradução de Rui Pires Cabral, publicada na revista 'Telhados e Vidro', nº 12, Edição Averno]

PAISAGEM

O tempo passou, transformou tudo em gelo.
Sob o gelo, o futuro bulia.
Se caísses lá dentro, morrias.

Era um tempo
de espera, de acção suspensa.

Eu vivia no presente, que era
a parte do futuro que podíamos ver.
O passado pairava sobre a minha cabeça,
como o sol e a lua, visível mas inalcançável.

Era um tempo
governado por contradições, como
Não sentia nada e
tinha medo.

O inverno esvaziou as árvores, voltou a enchê-las de neve.
Como eu nada sentisse, a neve caiu, o lago gelou.
Como se eu tivesse medo, permaneci imóvel;
o meu bafo era branco, uma descrição do silêncio.

O tempo passou, e uma parte dele tornou-se isto.
E outra parte evaporou-se simplesmente;
podíamos vê-la a pairar sobre as árvores brancas,
formava partículas de gelo.

Esperas a vida inteira pelo momento oportuno.
Depois o momento oportuno
revela-se acção consumada.

Eu via mover-se o passado, uma fila de nuvens a avançar
da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda,
consoante o vento. Por vezes

não havia vento. As nuvens pareciam
ficar onde estavam,
como uma pintura do mar, mais imóveis do que reais.

Por vezes o lago era um lençol de vidro.
Sob o vidro, o futuro murmurava,
modesto, convidativo:
tinhas de te concentrar para o não ouvires.

O tempo passou; chegaste a ver parte dele.
Os anos que levou eram anos de inverno;
ninguém lhes sentiria a falta. Por vezes

não havia nuvens, como se
as fontes do passado tivessem desaparecido. O mundo

perdera a cor, como um negativo; a luz atravessava-o
de lado a lado. Depois
a imagem apagava-se.

Por cima do mundo
só havia azul, azul em toda a parte.

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POEMA

Ao início da noite, como agora, um homem está curvado
sobre a sua secretária. Lentamente ergue a cabeça; uma mulher
surge, trazendo rosas.
O seu rosto flutua até à superfície do espelho,
marcado pelos raios verdes dos pés das rosas.

É uma forma
de sofrimento: depois a página transparente
levada sempre à janela até as suas veias aparecerem
como palavras por fim cheias de tinta.

E é minha obrigação compreender
o que as une
ou à casa cinzenta mantida no sítio com firmeza pelo crepúsculo

porque eu devo entrar nas suas vidas:
é primavera, a pereira
a cobrir-se com uma fina camada de flores brancas e frágeis.

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ADORMECI NUM RIO

Adormeci num rio, acordei num rio,
da minha misteriosa
incapacidade de morrer nada sei
dizer-te, nem
de quem me salvou ou por que razão –

Havia um silêncio imenso.
Nenhum vento. Nenhum som humano.
O século amargo

tinha chegado ao fim,
o glorioso, o duradouro,

o sol frio
persistia como uma antiqualha, um memento,
com o tempo a correr por detrás –

O céu parecia muito límpido,
como no inverno,
o solo seco, inculto,

a luz oficial atravessava
calmamente uma fresta no ar

digna, complacente,
desfazia a esperança,
subordinava imagens do futuro aos sinais da passagem do futuro –

Julgo que caí.
Só à força pude tentar levantar-me,
tão estranha me era a dor física –

Tinha esquecido
a dureza destas condições:

a terra, não obsoleta,
mas quieta, o rio frio, pouco profundo –

Do meu sono não recordo
nada. Quando gritei,
a minha voz trouxe-me um inesperado consolo.

No silêncio da consciência, perguntei-me:
porque rejeitei a minha vida? E respondi
Die Erde überwältigt mich:
a terra derrota-me.

Tentei ser exacta nesta descrição,
para o caso de alguém me seguir. Posso garantir
que o pôr-do-sol no inverno é
incomparavelmente belo e a memória dele
dura muito tempo. Julgo que isto significa

que não havia noite.
A noite estava dentro de mim.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Festival Poesia à Mesa 2020

De 29 de fevereiro a 21 de março uma tempestade de poesia vai atravessar a cidade de S. João da Madeira, que acolhe a 18ª edição da Poesia à Mesa.
A cidade será o palco privilegiado de várias iniciativas, onde a poesia é a matéria prima!










quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

PRÉMIO LITERÁRIO JOÃO DA SILVA CORREIA 2018

Conheça o documento que define as normas que regem as edições do Prémio João da Silva Correia, instituído pela Câmara Municipal de S. João da Madeira, através do qual se pretende distinguir este grande nome da cultura e promover hábitos de leitura e de escrita criativa, através de uma atividade que estimule o envolvimento efetivo da população, incentivando o aparecimento de novos valores e talentos literários.
A novidade é que se estendeu o acesso a candidatos não Sanjoanenses.

segunda-feira, 27 de março de 2017

LANÇAMENTO DO LIVRO “EXPERIÊNCIAS DA ALMA POR TRILHOS DE SAL COM PIMENTA”, 30 de março, 21h30

"Experiências da alma por trilhos de sal com pimenta" é o primeiro livro de poesia de Helena Osório. 
Com prefácio do poeta José Valle de Figueiredo e posfácio do escritor narrador berbere Mohamed M. Hammú, este livro reúne 61 poemas e apresenta diversas fotografias que ilustram o Atlântico, da autoria de Alberto Plácido, fotógrafo marinheiro ligado à Galeria Arthobler em Zurique.

Os poemas foram escritos em caminhada por praias da Foz do Douro, porto de abrigo da escritora luso-angolana que evoca no horizonte o mar-berço de Angola – o mesmo Atlântico que lhe proporcionou duas vidas numa.
"É sempre a Poesia a convocar-nos por mares sem fim (...)" (JVF), com "(...) la presencia del sonido para transitar en el universo nuevo que me llevaron sus versos a modo de libro sagrado, sin prohibiciones, sin pudor" (MMH).
O lançamento do livro contará com a presença de José Valle de Figueiredo e Mohamed M. Hammú.

segunda-feira, 13 de março de 2017

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA E POESIA "TERRA"



Na passada 6ª feira, pelas 21h30, decorreu a inauguração da Exposição de Fotografia e Poesia Galego-portuguesa intitulada "Terra", cedida pela Associação Cultura que Une, na qual marcaram presença a Sra. Engª Verónica Pinto, filha do famoso fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto, de Amarante, promotora  da Associação Cultura que Une e alguns fotógrafos que participaram neste projeto, nomeadamente, Catarina Almeida e António Pinto.

Marcaram presença também o Vice-Presidente da Câmara da cidade, Dr. Paulo Cavaleiro e a Chefe de Divisão da Cultura, Suzana Menezes.

Cultura que Une é uma associação constituída por diferentes fundações, associações, empresas, agentes culturais e particulares da Galiza e do Norte de Portugal que tem como objetivo aprofundar o reencontro e a redescoberta do património comum, desenvolvendo para este efeito atividades em que a cultura e a atividade empresarial caminham juntas em direção ao mesmo fim: a revalorização da Gallaecia.

 A exposição de fotografia e poesia  reúne fotógrafos e poetas que partilham por pares as suas particulares maneiras de ocupar a folha em branco. A exposição teve o seu ponto de partida num conjunto de fotografias às quais se juntaram poemas, inéditos e não só, que foram aconchegados para fornecer outros pontos de fuga.

O resultado é um mosaico memorável, multidisciplinar e multiperspectivado. 

Fotografias de: António Pinto, Anxo Cabada, Catarina Almeida, Diogo Cardoso, Fernando Ribeiro, Iván Merayo, João Madureira, Maribel Valdivieso Varela, Santi Amil, Xosé Luís Alonso. 

Poesia de: Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, António Fortuna, Berta Dávila, Carlos Da Aira, João Madureira, José Braga-Amaral, Ramiro Torres, Virgínia do Carmo, Yolanda Castaño.

 Esta mostra que une a arte poética e a arte fotográfica, ficará patente até 17 de Abril.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA E POESIA "TERRA" DA ASSOCIAÇÃO CULTURA QUE UNE


A exposição de fotografia e poesia Galego-portuguesa intitulada "Terra" reúne fotógrafos e poetas que partilham por pares as suas particulares maneiras de ocupar a folha em branco. A exposição teve o seu ponto de partida num conjunto de fotografias às quais se juntaram poemas, inéditos e não só, que foram aconchegados para fornecer outros pontos de fuga. O resultado é um mosaico memorável, multidisciplinar e multiperspectivado. 

Fotografias de: António Pinto, Anxo Cabada, Catarina Almeida, Diogo Cardoso, Fernando Ribeiro, Iván Merayo, João Madureira, Maribel Valdivieso Varela, Santi Amil, Xosé Luís Alonso.
Poesia de: Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, António Fortuna, Berta Dávila, Carlos Da Aira, João Madureira, José Braga-Amaral, Ramiro Torres, Virgínia do Carmo, Yolanda Castaño. 

Exposição cedida pela Associação Eduardo Ferreira Pinto e Associação Cultura que Une.

Inaugura hoje, pelas 21h30 e estará patente até 17 de Abril, na Biblioteca Municipal.



segunda-feira, 23 de maio de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO "PUDORGRAFIA" DE SUZAMNA HEZEQUIEL

Na passada 6ª feira, pelas 21h30, decorreu na Biblioteca o lançamento do livro "Pudorgrafia" de Suzamna Hezequiel, apresentado por Tiago Moita e a Dra. Irene Guimarães.

Marcaram presença o Vice-Presidente, Dr. Paulo Cavaleiro, a vereadora da Educação, Dra. Dilma Nantes, assim como alguns familiares, amigos e admiradores da escritora e poetisa.

"Pudorgrafia" já se encontra disponível na Biblioteca para empréstimo.

 
 
 
 
 
 
   
 
 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO "PUDORGRAFIA" DE SUZAMNA HEZEQUIEL (20 MAIO, 21H30)


Sinopse: Primeiro número da coleção "complexo de édito". Um livro de poesia disruptiva e muito visual onde a autora procura o sentido mais literal das palavras. Numa viagem lírica da subjetividade ao concreto.


O que se diz de "Pudorgrafia" de Suzamna Hezequiel?

"Com a poesia não se diz o concreto dos dias, nem as evidências, nem o lugar comum. Ela não transforma o mundo no imediato das revoluções. Inquieta.
Serve, com maior ou menor cuidado, para ilustrar o que nos é para além, o que nos ultrapassa e, apesar disso, nos é intrínseco.
Sobre as palavras, importa conter as próprias palavras, até porque, como neste livro, pudorgrafia, é pelo pudor com que se vestem, com que se combinam e como se desenham que se revelam e nos despem.
Este segundo livro da suzamna, agora editado pela Texto Sentido, é o lugar onde ela mesma se transforma, à medida que se diz e o vamos lendo, afirmando a impossibilidade de dizer de forma unívoca e a outra impossibilidade maior, a de guardar as palavras.
Porque a poesia também é paradoxo. E porque a poeta é a própria poesia."

Eduardo Leal

A FORÇA ESTRANHA DE UMA CORPOESIA
As sinestesias são sempre bem-vindas!
Excecionalmente, como é o caso em apreço, são mesmo bem-aventuradas, portadoras de epifanias transmutantes e de sintonias afeitas a concordiar os (pres)sentidos. Ao encetar a escrita deste expedito texto de avaliação a 'pudorgrafia', de suzamna hezequiel, me (ou)vi subitamente interpelado por uma outra "força estranha", cantada pela voz tamanha de Gal Costa.
Lendo nas horas precedentes os corpoemas do segundo livro de hezequiel, eu já me havia (pres)sentido sedutoramente submetido pela inapelável força estranha de uma corpoética pletórica, pujante, onde pulsa, indômito, rebelde, le sang d'un poète nas veias, artérias e capilares de uma cariátide botticelliana. Força estranha que incita a corpoetisa a entretecer, com palavras que acordam poliédricas, uma tapeçaria-mosaico no meio do caminho, hoje tortuoso, da poesia literária. Uma força, leia-se inspiração, que é estranha porque se origina nas entranhas do corpoético e se projeta, tal como fósforo-foguetão, palavra (ar)riscada e acesa, em direção ao campanário luminário das estrelas. Uma força que, nunca abdicando de ser estranha, por bom fim, em nosso corpo se entranha.
Confirmando os bons auspícios anunciados em 'paradox.sou' (2010), 'pudorgrafia' (2015) se metaforiza numa caixa de fósforos, que suzamna vai (ar)riscando e acendendo, sem ter medo do estranhamento venturosamente deflagrado por estes incandescentes pontos de lume, de luz de iridescente cor poesia.
Concebidos, escritos, editados no curso de um íntegro e integral pundonor autoral, estes vigorosos corpoemas, na aparência epidermicamente opacos são, na realidade, profundamente hialinos. Pudorgrafias que expõem estar a corpoetisa disponível para continuar a desafiar e a desafinar, com suas paradoxias ontológicas, "o coro dos contentes". Sim, o coro dos que se entregam, submissos, a exangue ortodoxia, a infértil heterodoxia de que enferma a poesia dominante no planeta.

Danyel Guerra


Quem é?

suzamna hezequiel (aka Suzana Guimaraens) nasceu no Porto em 1972 e vive em Vila Nova de Gaia.
Licenciou-se em Coimbra, em Línguas e Literaturas Modernas, lecionando há 20 anos. Professa, contudo, a máxima de Joseph Beuys: “cada homem é um artista”, deambulando, por essa razão, por distintas formas de expressão, no sentido da autodescoberta e da profunda exploração do Ser.
Editou três livros, entre a prosa poética, a poesia e o conto: “Sonho Partilhado” (2000), “paradox.sou” (2010) e “pudorgrafia” (2015). Dizedora (diseuse) em variados contextos poéticos, em Portugal e na Galiza, como são disso exemplo as "Quintas de Leitura" e o "Círculo Poético Aberto".
Explora, transdisciplinarmente, o teatro, a bijuteria artística, a fotografia, a dança e a pintura.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

HÁ PRECISAMENTE 80 ANOS, PESSOA MORREU NO BAIRRO ALTO EXCLAMANDO, "I KNOW NOT WHAT TOMORROW WILL BRING"







Fernando Pessoa, poeta maior da língua portuguesa, morreu no Hospital de São Luís dos Franceses, a 30 de novembro de 1935. Oitenta anos depois, com a Cimeira do Clima a decorrer em Paris, o Expresso recorda nove excertos poéticos de Alberto Caeiro, o heterónimo que mais louvou a natureza.

Pessoa, poeta imortal, atravessa oceanos. Mas o seu corpo partiu há 80 anos, a 30 de novembro de 1935. O poeta e os seus heterónimos permanecem atuais. 
Em plena Cimeira do Clima - que termina em Paris no próximo dia 11 - o Expresso recorda a forma como Alberto Caeiro, o bucólico heterónimo canta a natureza, o “correr dos rios”, o “murmúrio das árvores”, as “grandes montanhas” e as “cousas cheias de calor”.
Aqui vos deixamos nove excertos de Alberto Caeiro, a mais simples e naturalista das ‘criaturas’ de Pessoa.

“Aquela Senhora tem um Piano”

“Aquela senhora tem um piano Que é agradável mas não é o correr dos rios Nem o murmúrio que as árvores fazem ... Para que é preciso ter um piano? O melhor é ter ouvidos E amar a Natureza”

“Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada”

“Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos”

“O Meu Olhar”

“Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama”

“Talvez quem vê bem não sirva para sentir”

“Como o campo é grande e o amor pequeno! Olho, e esqueço, como o mundo enterra e as árvores se despem”

“Deste Modo ou Daquele Modo”

“E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem, Mas como quem sente a Natureza, e mais nada”

“Li Hoje”

“Por mim, escrevo a prosa dos meus versos E fico contente, Porque sei que compreendo a Natureza por fora; E não a compreendo por dentro Porque a Natureza não tem dentro; Senão não era a Natureza.”

“O pastor amoroso perdeu o cajado”

“Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre, As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento, A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito”

“Num Dia de Verão”

“Quando o Verão me passa pela cara A mão leve e quente da sua brisa, Só tenho que sentir agrado porque é brisa Ou que sentir desagrado porque é quente, E de qualquer maneira que eu o sinta, Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo... ”

“Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada”

“Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas”


Fonte: