Domingo, 18 de Dezembro de 2011

"O sono extenso" de Sara Costa

um dia havemos de nos vingar de quem nos magoou
nem que isso seja um inflexão da liberdade
nem que seja só a difusão da inocência quando a achamos estar a perder
nem que isso seja
este cheiro lento e límpido a expandir-se pelas entranhas da obsessão
quando o mundo parece mais alagado em espasmos e imagens
do que propriamente em solidão.
mas tudo o que sabemos é que havemos de deixar Novembro, um dia
nem que para isso seja necessário criar algo maior do que nós
nem que para isso deixemos de dormir e deixemos de fechar a carne
e abrir a vértebra da noite.
o sono extenso chega ao de leve, pousa-nos nas feridas,
suga-nos a essência
e ser ou não ser passa a ser sempre uma questão de perspectiva.


Sara Costa nasceu em Oliveira de Azeméis em 1987, tendo atravessado o seu percurso escolar até ao ensino secundário em S. João da Madeira. É licenciada em Línguas e Culturas Orientais e Mestre em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho. Actualmente, é Professora Assistente no Instituto Politécnico de Leiria.
É autora dos livros de poesia "A melancolia das mãos" e "Uma devastação inteligente".
É uma jovem escritora e poetisa que tem sido galardoada em vários certames literários e tem publicado poemas em diversas revistas literárias.
"O Sono Extenso" de Sara Costa
, obra vencedora do Prémio literário João da Silva Correia, cuja edição deste ano foi dedicada à Poesia.

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

"Fado traçado" de Dina Silvério


Tracei caminhos
Entre agrestes montes.
Pisei espinhos e lama,
Mas não perdi o rumo.
Fui rosa e lírio,
Fui espiga e jasmim,
Canção e saudade,
Oceano sem fim.
Neste fado já traçado
Segui as aves do céu
E o sonho meu.
Rasguei as horas
Nos lençóis dos teus braços
E fui pelo mundo,
Seguindo este fado
De nunca te ter.
Por que o vento me levou
E em mim deixou
As marcas do passado.
Cantei lágrimas ao luar.
Fui louca e raínha
Fadista sem guitarra
E amor, sem amar.

in "Palavras e sentimentos"

Dina Silvério é natural de Ferragudo, Lagoa, Algarve, mas vive em S. João da Madeira há 13 anos, onde exerce a sua profissão como assistente social. Tem duas filhas e dedica-se à poesia como forma de evasão.
Tem já publicados dois livros em poesia e "Redescobrindo a minha alma" e "Palavras e sentimentos".


Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

PROVOCAZIONE! de Regina Célia Pereira da Silva

Mondo globale...
sarà sinonimo
di infernale
o di anonimo?

Mondo multiculturale...
vorrà dire
amorfo, antisociale?
O ignorare, non pensare?

Ah, integrazione...
Sarà l'antitese
Della comprensione,
accoglienza e mani tese?

Mutua connoscenza,
interculturalità
arte e nuove identità
s'oppongono all'indiffirenza?

L'apertura verso il diverso
non richiede protezione
ma una nuova visione
del mondo e dell'universo.

In SILVA, Regina Célia Pereira - Attraverso la Cità: rilievi e risalti poetici del tessuto cittadino visti da. Avellino: Scuderi, 2011. (disponível no Fundo Local da Biblioteca Municipal de S. João da Madeira)

Regina Célia Pereira da Silva, de origem portuguesa (S. João da Madeira), soube conjugar a melodia lusitana com a italiana, mais propriamente napolitana, criando e definindo uma produção poética de notável interesse, focando sobretudo os temas sociais, mas também o esplendor da natureza e do mundo mediterrâneo.

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

"FURADOURO" de Regina Célia Pereira da Silva


Ventania de nortada,
Brisa marítima
Odor de maresia
Perfume de infância.

Brilhante, branca
E imensa a areia...

Espumejante dilaga
A água salgada
Sempre em movimento,
Sempre agitada.

Peixes prateados
Saltam das redes...

A traineira chega
cansada, mas cheia
De fresco pescado
Por muitos desejado.

Decorre a lota e os pescadores
apregoam
Os banhantes aproximam-se
compram.

A longa avenida
Traz à memória
Dias felizes, de fantasia.
Sonhos que viviam em segredo.

In
Silva, Regina Célia Pereira da - Trasparenze culturali, oggetti d'oggi e pensieri: transparências culturais, objectos de hoje e pensamentos. 1ª ed. Palermo : Aletti Editore , 2011. , 107 p. ; 21 cm. ISBN: 978-88-6498-566-4

Regina Célia Pereira da Silva nasceu em S. João da Madeira, Portugal, é docente de Língua, Cultura e Tradição Portuguesa, no Instituto Camões de Lisboa, na Universidade de Estudo Suor Orsolo Benincasa, Nápoles.
Doutorada em Literatura Moderna e Estudos Filológico-Linguísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Estudo de Palermo em colaboração com a Universidade de Estudos Orientais de Nápoles.
Ganhou o prémio jornalístico internacional "Theodor Mommsen 2001", na secção "Coppa de Nestor" com o artigo "O vinho do Porto" e o prémio em língua estrangeira atribuído pela Associação Nápoles Cultural Clássico no ano de 2010, com o poema "Ela".
Desde sempre se interessou pela poesia numa perspectiva multicultural, tem participado activamente em diversas sessões de poesia, em encontros literários e culturais, tendo já publicado diversas obras e poesia.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

"Use o poema para elaborar uma estratégia" de Nuno Júdice


Use o poema para elaborar uma estratégia
de sobrevivência no mapa da sua vida. Recorra
aos dispositivos da imagem, sabendo que
ela lhe dará um acesso rápido aos recursos
da sua alma. Evite os atolamentos
da tristeza, e acenda a luz que lhe irá trazer
uma futura manhã quando o seu tempo
se estiver a esgotar. Se precisar de
substituir os sentimentos cansados
da existência, reinstale o desejo
no painel do corpo, e imprima os sentidos
em cada nova palavra. Não precisa
de dominar todos os requisitos do sistema:
limite-se a avançar pelo visor da memória,
procurando a ajuda que lhe permita sair
do bloqueio. Escolha uma superfície
plana: e deslize o seu olhar pelo
estuário da estrofe, para que ele empurre
a corrente das emoções até à foz. Verifique
então se todas as opções estão disponíveis: e
descubra a data e a hora em que o sonho
se converte em realidade, para que poema
e vida coincidam.

Nuno Júdice

Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande, 29 de Abril de 1949) é um ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário português.
Esteve recentemente em S. João da Madeira na conferência "O chapéu na poesia" no Museu da Chapelaria.

Lançamento do livro de poesia "Silenciosas Alvoradas"

Na passada sexta-feira, a sessão de lançamento do livro "Silenciosas Alvoradas" de Ana Homem de Albergaria, decorreu animada com a presença de cerca de 25 participantes.

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Lançamento do livro "Silenciosas Alvoradas"

Hoje, 15 Julho, pelas 21h30, decorrerá na Biblioteca o lançamento do livro “Silenciosas Alvoradas” de Ana Homem de Albergaria.

O livro “Silênciosas Alvoradas” contém 47 poemas ao longo das 115 páginas, numa abordagem das multiplicidades sentimentais da natureza humana, sendo ilustrado pela escritora que é também artista plástica.

Ana Homem de Albergaria, é natural do Rio de Janeiro.
È Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da UP colabora com a EAPN Portugal, no Gabinete de Investigação e Projectos.
Apaixonada pela escrita e pela pintura tem uma vasta obra pictórica da qual se realça a última exposição “HUMANIDADES”.
Na edição apresenta, agora, o livro de poemas SILENCIOSAS ALVORADAS com a chancela da Edita-me tendo em preparação, conjuntamente com outros autores, uma colectânea de poesia a editar brevemente no âmbito do grupo de poesia a que pertence “Portugal Poético”.

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

ATAÚLO SIMÃO (1919-2011)




Faleceu o poeta popular sanjoanense Ataúlfo Simão.
Nasceu em Celorico da Beira, chegando há cerca de 62 anos a S. João da Madeira. Barbeiro de profissão, foi músico na Banda de S. João da Madeira e esteve também na iniciação da Tuna dos Voluntários.
A poesia era a sua grande paixão, surpreendendo todos os que o rodeavam com as suas sábias quadras populares e a sua delicadeza de carácter.
Foi colaborador nos jornais locais Regional e Labor.
Era um frequentador assíduo da Biblioteca, que considerava a sua segunda casa e à qual dedicou alguns poemas.

Aqui fica esta carinhosa homenagem de todas as funcionárias da Biblioteca Municipal.



Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

"OS LIVROS" de Manuel António Pina


E quando chegares à dura

pedra de mármore não digas: “Àgua, água!”,

porque se encontraste o que procuravas

perdeste-o e não começou ainda a tua procura;

e se tiveres sede, insensato, bebe as tuas palavras

pois é tudo o que tens: literatura,

nem sequer mistério, nem sequer sentido,

apenas uma coisa hipócrita e escura, o livro.



Não tenhas contra ele o coração endurecido,

aquilo que podes saber está noutro sítio.

O que o livro diz é não dito,

como uma paisagem entrando pela janela de um quarto vazio.


Manuel António Pina (Sabugal, 18 de Novembro de 1943) é um jornalista e escritor português, galardoado em 2011 com o Prémio Camões.
O autor licenciou-se em Direito em Coimbra e foi jornalista do Jornal de Notícias durante três décadas. É actualmente cronista do Jornal de Notícias e da revista Notícias Magazine.
A sua obra é principalmente constituída por poesia e literatura infanto-juvenil. É ainda autor de peças de teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao cinema e TV e editadas em disco.
A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.

Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

ENTREGA DE PRÉMIOS - POESIA NA CORDA

Na passada 6ª feira, dia 6 de Maio, pelas 18 horas, decorreu na Biblioteca a entrega de Prémios dos poemas da Poesia na Corda 2011, actividade inserida na Campanha da Poesia à Mesa.
Foram recebidos 277 poemas e os prémios atribuídos foram os seguintes:

POEMAS PEQUENINOS

TEMA: AMBIENTE

Nome:Gonçalo Fernandes
Título: "O Mundo"
Nome: Afonso Milheiro
Título: "A Borboleta"

TEMA: AMOR

Nome: Rita Azevedo Plaza
Título: "Adorável Pai"
Nome: Maria João Carvalho
Título: “O meu irmão”

TEMA: OUTROS

Nome: Maria Inês Ferreira Ramos TM: 914897722
Título: "Poesia à Mesa"
Nome: Rita Azevedo Plaza
Título: "O Fofinho"

JOVENS

TEMA: AMOR

Nome: João Constantino
Título: "A Fonte"
Nome: João Ferreira Soares
Título: "O Sonho"

TEMA: OUTROS

Nome: Fábio Silva
Título: "Nas Páginas"

ADULTOS

TEMA: AMOR

Nome: Dina Silvério
Título: "Vesti meu corpo"
Nome: Lizete Gomes
Título: "Saudades"

TEMA: INDÚSTRIA E COMUNIDADE

Nome: António Augusto de Almeida
Título: "S. João da Madeira"
Nome: Pseudónimo Alma Lusitana
Título: "Invocação à minha cidade"

TEMA: OUTROS

Nome: Dina Silvério
Título: "A Rima"
Nome: Manuel Ribeiro de Pinho
Título: "Os sinos"



Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Prémio Literário João da Silva Correia 2011 (Poesia)



Prémio Literário João da Silva Correia 2011 (Poesia)




Decorre até ao próximo dia 20 de Maio a entrega de trabalhos concorrentes ao Prémio Literário João da Silva Correia, que este ano decorre na categoria de Poesia.

Esta iniciativa da Câmara Municipal de S. João da Madeira distingue obras inéditas em língua portuguesa, assinadas com pseudónimo.

Os concorrentes devem ser de S. João da Madeira (naturais ou residentes) ou ter ascendência sanjoanense (pais ou avós) ou desenvolver actividade neste município (estudo ou trabalho).

O prémio traduz-se num apoio monetário à publicação da obra vencedora, até ao montante máximo de 2.000 euros.

O prazo de entrega dos trabalhos termina a 20 de Maio de 2011.

As condições de participação e a forma de envio dos originais constam do regulamento do Prémio, que pode consultar abaixo.

Regulamento do Prémio Literário João da Silva Correia

Segunda-feira, 21 de Março de 2011

ESTENDAL POÉTICO METROPOLITANO + CONFERÊNCIA + TERTÚLIA POÉTICA

No jardim existente na frente da Biblioteca decorreu na manhã de hoje uma sessão de poesia promovida pela Área Metropolitana do Porto (AMP), tendo sido colocados num "estendal" diversos poemas seleccionados pelos 16 municípios da AMP.

Esta manifestação poética foi complementada com a sessão "Sintonia poética" que consistiu na leitura simultânea de poesia em todos os Municípios da AMP, na qual participaram alguns alunos das diversas escolas de S. João da Madeira, que declamaram poemas por si seleccionados.

Como convidados especiais marcaram presença os poetas sanjoanenses Tiago Moita e Lizete que declamaram poesia dirigida às faixas etárias presentes.






À tarde, pelas 15h30, decorreu nos Paços da Cultura a conferência "A Poesia e o elogio da inteligência" proferida pelo professor Doutor Dionísio Vila Maior.

Durante toda a sessão o orador tentou, através de uma linguagem muito acessível, sensibilizar todos os presentes para a importância da leitura de poesia.

Começou por explicar que um simples poema se pode converter num lema para a vida inteira - como o poema "Ser" de Ricardo Reis - e que a poesia pode também ser usada como terapia de catarse ou como arma de combate contra um regime político, como foi o caso da poesia de Manuel Alegre. Referiu ainda que a poesia também é usada para exprimir sentimentos de ódio, de emoções, de paixões e de tristeza, tendo apresentado o poema de Eric Clapton "Tears in heaven" como exemplo.

No final foi projectado um extracto do filme "O clube dos poetas mortos" cujo lema é "Carpe Diem" e aproveitou para fazer passar a mensagem de que nos devemos empenhar arduamente em tudo o que fizermos, e viver intensamente, cultivando a poesia.





A Campanha da Poesia à Mesa em S. João da Madeira encerrou com uma Tertúlia Poética que decorreu no final da tarde na Biblioteca, com a participação de alguns poetas sanjoanenses e coordenada pela professora Dra. Cristina Marques.

Ao longo da sessão todos os poetas revelaram a importância que a poesia tem nas suas vidas, na procura da autenticidade, na união entre o particular e o universal, como forma de superar as adversidades da vida, de passar mensagens, ensinamentos e sentimentos.

Durante a sessão declamaram os seus próprios poemas ou dos poetas de referência a nível nacional com que se identificam.


Área Metropolitana do Porto assinala Dia Mundial da Poesia

A Área Metropolitana do Porto assinala hoje, com actividades desenvolvidas pelos vários municípios, o Dia Mundial da Poesia.

Destaque para o “Estendal Poético Metropolitano”, com poemas seleccionados pelos municípios da AMP. Esta acção consiste na suspensão, em cordas, de poemas, em espaços públicos de cada concelho. Os poemas foram escritos por alunos das bibliotecas escolares ou dos diversos serviços educativos que as bibliotecas municipais realizam durante o corrente mês ou, ainda, de poetas locais.
Em torno do “Estendal Poético Metropolitano” haverá ainda a “Leitura Simultânea de Poesia”, entre as 11h00 e as 11h30, em todos os municípios da AMP, de forma a criar uma “sintonia poética”.

Não perca mais esta actividade que, em S. João da Madeira, decorre no Jardim da entrada da Biblioteca Municipal.

Domingo, 20 de Março de 2011

ESTENDAL POÉTICO + CONFERÊNCIA + TERTÚLIA POÉTICA

Amanhã, pelas 11h00, no jardim em frente à Biblioteca Municipal, estará presente o Estendal Poético Metropolitano contendo poemas seleccionados dos 16 Municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP) e a sessão Sintonia Poética, que consiste na leitura simultânea de poesia em todos os Municípios da AMP.

Mais tarde, pelas 15h00, no auditório dos Paços da Cultura, decorrerá a Conferência "A poesia e o elogio da inteligência" proferida pelo professor Doutor Dionísio Vila Maior.
Serão abordadas questões de índole fundamentalmente pedagógica, relacionadas com o ensino da leitura de Poesia.
Para além disso, incidir-se-á, de igual modo, sobre o acto de produção poética, assim como sobre os fundamentos que se encontram subjacentes às perguntas: Porquê ler poesia? Porquê escrever poesia?"

Finalmente, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal, decorrerá uma Tertúlia poética dos poetas sanjoanenses.

"MÚSICA NAS PALAVRAS" COM O CORO DE CÂMARA DE S. JOÃO DA MADEIRA

No âmbito da Campanha Poesia à Mesa decorreu, pelas 16h00, um concerto proporcionado pelo Coro de Câmara de S. João da Madeira que resultou em mais um momento inesquecível para todos os presentes, durante o qual ecoaram no ar a musicalidade da poesia e da canção.
A harmonia das suas vozes, a métrica das palavras e as melodias entoadas, numa viagem pelas raízes do português, conduziram-nos na busca do conhecimento da nossa história, o que fomos e quem somos, através das suas magníficas interpretações.

SERÃO DE POESIA

No passado sábado, pelas 22 horas, decorreu no auditório dos Paços da Cultura o Serão de Poesia com a paticipação de Fernando Alves, jornalista da TSF e autor do programa "Sinais", do músico e poeta Manuel Freire e de José Fanha.
A sessão poética decorreu animada e com alguns momentos de humor que geraram um clima intimista marcante.

PEREGRINAÇÃO POÉTICA E SOCIAL SMOKERS

Na noite da passada 6ª feira, decorreu no espaço da Feira do Livro a anunciada Peregrinação Poética, por onde passaram mais de 200 pessoas que puderam assistir a uma montra viva de poetas, onde não faltaram os homenageados em 2011 e Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Florbela Espanca, Luís de Camões e muitos outros.
Ao longo da noite foram declamados, musicados ou teatralizados diversos poemas dos autores homenageados na Campanha da Poesia à Mesa 2011, através da participação de instituições e associações locais.
Foram apresentados poemas de Pedro Mexia (pela Teia dos Sentidos), Cecília Meireles (pela Escola Serafim Leite), Nuno Higino (pela Universidade Aberta), Rosa Lobato Faria (pela Universidade Sénior), Gonçalo M. Tavares (pelos Ecos Urbanos) e David Mourão Ferreira (pelo Grupo Arte Sete Menor).
O actor Pedro Lamares marcou presença como convidado especial nesta sessão, na qual evidenciou a sua excepcional capacidade de "diseur" de poesia.



Mais tarde, pelas 24 horas, os Social Smokers realizaram um espectáculo de apresentação do novo álbum "Magnetic Poetry", tendo como convidado especial J. P. Simões.
No final o microfone ficou aberto a todos os participantes o que possibilitou a presença de três declamadores da região.

"A CAROCHINHA E O JOÃO RATÃO" NO FLANELÓGRAFO

A manhã de sábado decorreu animada e divertida com as 13 crianças e jovens presentes na Sala do Serviço Educativo para mais uma sessão dedicada às familias.
Todos quiseram participar na construção deste belo conto tradicional.

O SERVIÇO EDUCATIVO NA SEMANA DA POESIA

O Serviço Educativo da Biblioteca Municipal elaborou um conjunto de sessões de leitura de contos e oficinas de "Trocadilhos poéticos" pelas várias escolas do Concelho. O conto de José Fanha "O dia em que a mata ardeu" sensibilizou as crianças para necessidade da protecção e preservação do ambiente.
Foi realizada ainda, a oficina "Baú de Histórias" envolvendo as crianças na criação de histórias colectivas, numa semana em que a leitura de contos e poesia encheu o ar desta nossa bela cidade.

HISTÓRIAS COM CHAPÉUS

A Semana da Poesia foi assinalada na nossa cidade com a presença do poeta e escritor José Fanha que realizou um workshop de escrita criativa destinada aos alunos do 4º ano das seguintes Escolas do Ensino Básico:
Condes, Carquejido, Casaldelo, Espadanal, Fontaínhas, Fundo de Vila, Parque e Ribeiros.
Desta actividade sugiram historias cheias de aventuras e fantasia, ficando o desafio de cada turma dar continuidade a história iniciada.

HISTÓRIAS COM CHAPÉUS

Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Peregrinação Poética e os Social Smokers

Hoje, pelas 22h00 na Feira do Livro (Rua Padre Oliveira)decorrerá mais uma Peregrinação Poética.
O actor Pedro Lamares ao longo da noite fará uma peregrinação pelos seis poetas homenageados, onde serão declamados, musicados e teatralizados diversos poemas pelas instituições e associações locais.

Mais tarde, pelas 24 horas, os Social Smokers apresentam “Magnetic Poetry”, tendo como convidado especial J. P. Simões. Trata-se de um espectáculo de apresentação do novo álbum dos Social Smokers (spoken word/poetry slam) e Open MIC – Microfone aberto a todos os participantes, com os slammers dos Social Smokers e apresentação de J. P. Simões.

Não perca esta oportunidade e participe!

À conversa com... Pedro Mexia

A sessão desta noite decorreu animada e contou com a presença de 40 pessoas. No início houve um desfile de poetas, no qual não faltaram Fernando Pessoa, Florbela Espanca e muitos outros, pelo grupo TOJ (Teatro Oliveira Júnior), orientado pela prof. Cristina Marques. De seguida foi declamado o poema "A avó Leonor" da autoria de Pedro Mexia, pela associação cultural Teia dos Sentidos.


Durante a sessão o poeta convidado revelou-nos os seus gostos e preferências, as fontes de inspiração e algumas curiosidades como, por exemplo, as recolhas de diálogos que faz junto dos taxistas da cidade, o universo da blogosfera e a sua mais recente experiência de criação de textos para teatro.

Confessou as suas obras de referência das quais destacou como de leitura indispensável "As memórias póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis e o "Mau tempo no Canal" de Vitorino Nemésio, assim como a sua obra poética, política, heremética e regionalista.

Mais uma vez, como é habitual nestas sessões, num ambiente informal estabeleceu-se um diálogo aberto com o escritor.


Declamação poética nos restaurantes da cidade

Quarta-feira, 16 de Março de 2011

`A CONVERSA COM... PEDRO MEXIA


Amanhã, dia 17 de Março, pelas 21h30, na Feira do Livro, na Rua Padre Oliveira, decorrerá no âmbito da Poesia à Mesa, uma sessão do "À conversa com..." Pedro Mexia.



Pedro Mexia é escritor e crítico literário tendo já colaborado em diversos jornais, nomeadamente, no Diário de Notícias, no Público, no Expresso, nas revistas Grande Reportagem e na Ler.


Foi comentador do programa Eixo do Mal (SIC Notícias) e é um dos membros do Governo Sombra (TSF).


Como escritor publicou seis livros de poemas: Duplo Império (1999), Em memória (2000), Avalanche (2001), Eliot e outras observações (2003), Vida oculta (2004) e Senhor fantasma (2007), faz parte da Antologia do humor português (2008), Poemas portugueses (2009), Poemas com cinema (2010).

Em 2011 saiu a antologia pessoal Menos por menos - Poemas escolhidos, mas a sua estreia como poeta aconteceu na revista Colóquio em 1998.

E é desta faceta de poeta que se falará na sessão de amanhã do "À conversa com...".



Pedro Mexia nasceu em 1972 na cidade de Lisboa. Após os estudos secundários concluiu o curso de Direito da Universidade Católica Portuguesa e, posteriormente, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa obteve um mestrado em Estudos Americanos.

ouvir poesia à mesa


Já se ouve poesia, à mesa dos restaurantes, desde segunda-feira.

Uma das mais emblemáticas actividades da Poesia à Mesa acontece em vários restaurantes da cidade ao longo de toda a semana.

Deixe-se surpreender pelo poeta José Fanha num restaurante perto de si e acompanhe a sua refeição com uma ementa poética especialmente preparada pelo restaurante!

Terça-feira, 15 de Março de 2011

a não perder

Os escritores Pedro Mexia e Nuno Higino, o actor Pedro Lamares, o jornalista da TSF Fernando Alves e o músico Manuel Freire são alguns dos nomes que, em Março, passam por S. João da Madeira para se associarem à Campanha Poesia à Mesa.



Este evento conta também com os Social Smokers, que apresentam o seu novo álbum “Magnetic Poetry”.



A Campanha Poesia à Mesa, que conta também com a presença habitual do poeta e declamador José Fanha, decorre a partir de 12 de Março, com especial destaque para o fim-de-semana que antecede o Dia Mundial da Poesia (21 de Março), durante o qual a obra de diversos autores de Língua Portuguesa será divulgada em vários pontos da cidade.



Nesta edição os seis poetas homenageados são Cecília Meireles, David Mourão Ferreira, Gonçalo M. Tavares, Nuno Higino, Pedro Mexia e Rosa Lobato Faria.



As suas palavras vão surgir impressas em bases de copos, toalhetes de mesa, lápis e muitos outros suportes, de forma a irem ao encontro das pessoas em lugares tão inesperados como restaurantes, cafés, pastelarias, bares...



Uma vertente importante deste evento decorre também em espaços culturais sanjoanenses como a Biblioteca Municipal e os Paços da Cultura, assim como na Feira do Livro, que funcionará de 14 a 21 de Março, na Rua Padre Oliveira, na zona pedonal da cidade, com a presença das Livrarias locais e de algumas Editoras.

A poesia está à mesa

S. João da madeira volta a respirar Poesia...

Mais uma vez a Poesia regressa à cidade com um programa recheado de interessantes actividades para toda a comunidade.

Em 2011 os poetas homenageados são Cecília Meireles, David Mourão-Ferreira, Gonçalo M. Tavares, Nuno Higino, Pedro Mexia e Rosa Lobato Faria.

Do programa geral de 14 a 21 de Março, destacamos:

FEIRA DO LIVRO - Rua Padre Oliveira, na zona pedonal, com a presença das Livrarias locais e de algumas Editoras.

WORKSHOPS DE POESIA –a decorrer em todas as escolas básicas do 1º ciclo.

POESIA NA CORDA – A poesia vai estar nas ruas da cidade.

EMENTAS POÉTICAS – Também os restaurantes da cidade vão ter poesia servida à mesa.

À MESA COM POESIA – Ao longo da semana haverá poesia declamada pelo poeta José Fanha nos restaurantes da cidade.

Dia a dia daremos conta do que vai acontecer e daquilo que se vai fazendo...Fique atento!

Sexta-feira, 11 de Março de 2011

"Era uma vez um cavalinho" de Nuno Higino


Era uma vez um cavalo
um cavalinho montês
quando ia a montá-lo
fugia para o Gerês

Cavalinho, cavalinho
não te enganes no caminho!

Era uma vez um cavalo
um cavalinho mandão
quando iam a montá-lo
fugia para o Marão

Cavalinho, cavalinho
não te enganes no caminho!

Era uma vez um cavalo
um cavalinho da feira
quando iam a montá-lo
fugia para a Madeira

Cavalinho, cavalinho
não te enganes no caminho!

HIGINO, Nuno; SIZA, Álvaro - Todos os cavalos e mais sete. Marco de Canavezes : Cenateca, Associação Teatro e Cultura , 2003. , 46, [1] p. : il. ; 23 cm. ISBN: 972-98834-1-6


(Obra disponível na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira)

NOTA BIOGRÁFICA DO AUTOR:
Nuno Higino (Felgueiras, 1960) é professor de filosofia e sociologia na Universidade Fernando Pessoa. É licenciado em Teologia e doutorado na área da Filosofia Estética com uma tese apresentada na Faculdade de Filosofia da Universidade Complutense, em Madrid, sobre os desenhos de Álvaro Siza, uma leitura a partir de Jacques Derrida. Integra a equipa de trabalho da Associação Casa da Arquitectura. Faz parte da direcção da Cooperativa Árvore e da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Tem vários títulos publicados da área da poesia e da Literatura infanto-juvenil.

Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

AS JANELAS DO MEU QUARTO DE ANTÓNIO GEDEÃO


Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.


Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.


Por esta entra a Via Láctea,
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.


Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.


Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.


Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.


E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.


E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.


E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.


Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.


Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.

ANTÓNIO GEDEÃO

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997),português, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário no Liceu Pedro Nunes, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.

Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

ESPARSA AO DESCONCERTO DO MUNDO


Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

Luís Vaz de Camões (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de junho de 1580) foi um célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.


Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

BALADA DO AMOR ATRAVÉS DAS IDADES de Carlos Drummond de Andrade


Apolo e Dafne (Gian Lorenzo Bernini - 1598-1680)


Balada do Amor Através das Idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles
espirituoso e devasso,
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

Carlos Drummond de Andrade
Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro
.



Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

"OS MEUS AMIGOS" DE Camilo Castelo Branco


Amigos cento e dez e talvez mais
Eu já contei! Vaidades que eu sentia.
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.
Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia,
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente,
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco (1825-1890)

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

"PLENIPOTENCIÁRIO" de Tina Modotti*(1896-1942)

Gosto de me balançar no céu

E cair sobre a Europa.

Pular outra vez para cima como uma bola de borracha,

Esticar uma mão até ao telhado do Kremlin,

Roubar uma telha

E atirá-la ao Kaiser:

Porta-te bem;

Vou dividir a lua em três partes,

aquela maior vai ser para ti.

Não a comas depressa demais.

Tina Moddotti de Richey publicado na revista "The Dial", Los Angeles, Maio de 1923

*Tina Modotti (16 (ou 17) de agosto de 1896 - 5 de janeiro de 1942) era uma fotógrafa italiana, modelo, atriz e ativista política revolucionária.


Tina Modotti, terras e tempos : viagem por quatro décadas do século XX. 1ª ed. Lisboa : Câmara Municipal , 2001. , 88 p. : il. ; 25 cm.

Obra disponível na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira