sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

“CHICAGO" DE CARL SANDBURG




Que uma alegria seja o teu sustento.
Estende as mãos e agarra-a ao passar
Tal como o dançarino apache cinge a sua mulher
Eu vi-os a viver sem fim
E a rir sem pejo
Lançados a cantar sem parar
Esmagados até ao coração sob as costelas
Por um amor terrível.
Alegria sempre!
Em toda a parte
Que a alegria te mate.
Põe-te a salvo das pequenas mortes.
 

Carl August Sandburg (1878-1967)
poeta, historiador, novelista e folclorista dos EUA

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

"A FELICIDADE" DE VINICIUS DE MORAES (1913-1980)






Tristeza não tem fim
Felicidade sim


A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor


A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira


Tristeza não tem fim
Felicidade sim


A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar


A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o d
ia
Oferecendo beijos de amor

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Até sempre Sr. Baptista

Hoje é, para todos nós, um dia triste. Um dia em que vemos partir um colega muito especial. Um grande, incansável e solidário amigo.
Um colega que fazia parte de todas as Poesias à Mesa da nossa cidade. Que ia buscar os nossos convidados, estivessem eles onde estivessem. Um colega que nunca se queixava, por mais quilómetros que tivesse que fazer, para dar resposta às necessidades dos nossos convidados. Um colega que todos, TODOS os nossos convidados sem exceção, elogiaram no seu profissionalismo, na sua simpatia, na sua alegria. Um colega que nos acompanhava nas declamações de poesia nas fábricas e nas escolas e que se divertia e nos divertia, mesmo nos momentos de maior dificuldade e trabalho. Um colega que nos ajudava a distribuir cartazes no meio de mais uma centena de afazeres que tinha na sua agenda. Um colega que nunca nos deixava ficar mal porque tinha orgulho no seu trabalho. Porque era dedicado. Porque era um grande profissional.
Também aqui, na Biblioteca Municipal, sempre que precisamos do Sr. Baptista, o Sr. Baptista esteve lá. Com o seu sorriso generoso, com a genuína alegria de quem gostava do que fazia, com o extraordinário sentido de missão de quem tinha orgulho na instituição que representava.
Por isso, o Sr. Baptista era também, um bocadinho, da nossa Biblioteca. Por isso, hoje ficamos todos mais pobres. Mais tristes.
Obrigada Sr. Baptista por ter feito parte das nossas vidas. Até sempre Sr. Baptista.