quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA

Faleceu Manuel António Pina, aos 68 anos, no hospital de Santo António, no Porto, onde estava internado desde o verão passado. Jornalista, colunista e poeta, foi galardoado com o Prémio Camões o ano passado e recentemente tinha publicado uma colectânea "Todos as palavras". 


Manuel António Pina nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Era jornalista do Jornal de Notícias desde 1971, tendo colaborado noutros órgãos de comunicação social da imprensa, do rádio e da televisão. Ganhou vários prémios, de que se destacam o Prémio Calouste Gulbenkian - Melhor Livro Publicado em Portugal em 1986/1987 com a obra O Inventão, e o Prémio Nacional de Crónica Press Club/Clube de Jornalistas com a obra O Anacronista (1994). Tinha sido premiado anteriormente, dentro e fora de Portugal. A sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, holandês e russo. Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e inspiraram programas de televisão.

A biblioteca possui grande parte das suas obras, aventure-se na sua leitura e em sua homenagem recordemos o poema seguinte.  

A Poesia Vai Acabar 

A poesia vai acabar, 
os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros 
(enquanto os pássaros não acabarem). 
Esta certeza tive-a hoje ao 
entrar numa repartição pública.
 Um senhor míope atendia devagar 
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum 
poeta por este senhor?» E a pergunta 
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
 — Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar?




Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

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