sexta-feira, 16 de setembro de 2016

"VAZIO" de AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT





A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.
 

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

in Pássaro cego (1930)

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)
poeta carioca, da segunda geração do Modernismo brasileiro, além de editor e dono de livraria.

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